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Um enorme "Monte dei" problemas

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O Monte dei Paschi de Siena, o mais velho banco do mundo fundado 
em Siena no século XV, é o que tem o capital mais desvalorizado em Bolsa

Stefano Rellandini / Reuters

Banca italiana é a principal dor de cabeça na Europa. Mas é o Deutsche Bank o que apresenta riscos maiores

Quando o economista-chefe do Deutsche Bank diz que a Europa está “seriamente doente” a que se estará a referir? Numa Europa cheia de crises, os suspeitos do costume são vários: Grécia, sanções a Espanha e Portugal, vaga de migrantes, Brexit. Mas, não. O problema do Velho Continente, refere David Folkerts-Landau ao jornal alemão “Die Welt”, é que “arrisca uma nova crise bancária” e que isso pode exigir um resgate de €150 mil milhões. Se o resgate não for atempadamente realizado, avisa Folkerts-Landau, há o risco de “um acidente financeiro”, vulgo um evento surpresa que faça recordar o estouro Lehman Brothers em 2008. Não se sabe se o economista alemão tinha em mente o próprio banco que lhe paga o salário, que está entre as piores avaliações.

Recorde-se que o Fundo Monetário Internacional (FMI), na sua análise anual sobre a economia alemã, divulgada no final de junho, mimoseou o Deutsche Bank com o carimbo de principal fonte de risco para o sistema financeiro mundial. Mas, apesar de haver quem considere o gigante alemão como o candidato mais bem colocado para ser o ‘Lehman’ europeu, a ribalta tem sido dada à banca de Itália. Particularmente, ao banco Monte dei Paschi de Siena, fundado em 1472, que é o banco mais antigo do mundo em funcionamento. É a terceira maior instituição financeira italiana, teve este ano a segunda maior queda em Bolsa na Europa e é o banco com o capital mais depreciado face ao seu valor contabilístico. “Vemos o frágil sistema financeiro de Itália como o calcanhar de Aquiles da Europa”, diz a BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, numa análise recente.

No centro da crise bancária europeia está o crédito malparado que, na zona euro, atinge 5,7% do total e, no conjunto da União Europeia, se situa em 5,6%. São €900 mil milhões de empréstimos problemáticos nos países da moeda única. “A pior situação é em Chipre, Grécia e Itália. Mas dada a maior dimensão de Itália, tem uma importância internacional muito mais significativa”, refere o mesmo economista. A este grupo de países juntam-se Irlanda e Portugal também com elevados níveis de crédito malparado.

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