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“O euro foi um erro terrível”

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Angus Deaton, Prémio Nobel de Economia em 2015

Dominick Reuter / Reuters

Quando Angus Deaton venceu o prémio Nobel da Economia no ano passado houve quem notasse que os tempos lhe eram propícios e que a sua investigação pioneira fora justamente reconhecida. A desigualdade passou a ser um tema obrigatório, saiu da clandestinidade. Mas é um assunto complexo, que não pode ser tratado de um modo simplista. A propósito da tradução do seu livro “Grande Evasão”, o autor concedeu uma entrevista ao Expresso por e-mail

A desigualdade tornou-se um dos tópicos mais quentes da atualidade. O livro de Thomas Piketty foi considerado este ano um dos 10 livros de economia mais importantes dos últimos 100 anos. O Prémio de Economia em memória de Alfred Nobel foi-lhe atribuído a si no ano passado. Qual a razão desta atenção sobre o tema?

É verdade que tem havido um enorme aumento do interesse pelo tema da desigualdade em anos recentes. Penso que a principal razão tem a ver com o facto de ter vindo a expandir-se muito rapidamente nos Estados Unidos e em muitos outros países do mundo. A que eu juntaria a investigação por parte dos académicos e o facto de que muita gente das classes médias tem vindo a passar um mau bocado. Isso gerou um enorme interesse no público.

Já sublinhou que, com exceção de algumas poucas coisas em que há certezas, nós não sabemos muito acerca do crescimento. Existe alguma noção de como a desigualdade afeta o crescimento?

Creio que não faz muito sentido indagar de um modo simplista, seja ele qual for, sobre os efeitos da desigualdade no crescimento. Desigualdade e crescimento saem de um sistema económico complexo. É como perguntar se um tubo de escape num carro torna a sua condução mais fácil. Por vezes, o crescimento gera desigualdade, como, aliás, eu discuto no meu livro “A Grande Evasão”. Outras vezes, a desigualdade pode sufocar a procura e abrandar o crescimento. Nesta matéria, tudo depende de como tudo o resto está a acontecer e em que circunstâncias.

Como refere no seu livro, o enquadramento institucional parece ser importante na geração e aumento da desigualdade. Não só nos países pobres com sistemas políticos ‘extrativos’, mas também nos próprios países ricos. As instituições em ambas as situações estão feitas à medida dos interesses das elites?

Nem sempre. Isso é um risco e não um facto. O ‘Brexit’ é um exemplo recente de como algo está a escapar à elite. O mesmo se passa com o caso de Donald Trump. Nos Estados Unidos, o principal problema parece ser a questão do financiamento do Congresso que torna a Câmara de Representantes e o Senado muito sensíveis às grandes empresas e aos bancos.

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