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Dívida portuguesa. Juros sobem, mas prémio de risco desce

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Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos subiram para 3,14% na sexta-feira, fechando com uma subida semanal de quase uma décima. Maiores subidas registaram-se nas economias do centro do euro, como Alemanha e Holanda, que saíram do ‘clube’ dos juros negativos a 10 anos

Jorge Nascimento Rodrigues

O mercado secundário da dívida soberana da zona euro assistiu a uma subida generalizada do custo de financiamento das obrigações no prazo de referência durante a semana que findou. As yields das obrigações dos periféricos do euro subiram, mas as relativas às economias do centro da zona da moeda única subiram mais.

A Alemanha e a Holanda que haviam entrado no ‘clube’ dos juros negativos no prazo a 10 anos, reentraram em terreno positivo no final da semana. Em virtude desta mudança, o prémio de risco dos periféricos desceu em relação ao custo de financiamento da dívida alemã, que serve de referência.

No caso das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos, as yields fecharam em 3,14%, nove pontos base acima do fecho na semana anterior. Mas estão mais de 20 pontos base abaixo do pico na ‘sexta-feira negra’ pós-Brexit (24 de junho) em que fecharam em 3,37%. Recorde-se que Portugal foi ao mercado primário obrigacionista na quarta-feira colocar 584 milhões de euros através de um leilão de reabertura da OT que vence em 2026 (referência a 10 anos), pagando uma taxa de colocação de 3,093%. Colocou, também, 571 milhões de euros na OT que vence em 2022.

O prémio de risco da dívida portuguesa desceu de 325 pontos base no fecho de 8 de julho para 313 pontos esta sexta-feira, uma redução de 12 pontos base. O que significa que o prémio é de mais de três pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã, que serve de referência. O prémio da dívida espanhola desceu para 122 pontos base, uma redução de 14 pontos base, o que significa que a diferença entre os prémios português e espanhol se ampliou.

As maiores subidas semanais nas yields verificaram-se, no prazo a 10 anos, nas obrigações alemãs, que subiram de -0,196 (em terreno negativo) para 0,003% (ligeiramente acima da linha de água), e nas holandesas, que passaram de -0,001% para 0,119% no mesmo período.

Nos periféricos do euro, no prazo de referência, em termos semanais, as yields subiram nove pontos base para as OT, oito para as espanholas, sete para as italianas, e seis para as irlandesas. As yields das obrigações gregas desceram de 8,1% para 7,8%. O procedimento da Comissão Europeia sobre o incumprimento de redução do défice excessivo por parte de Portugal e Espanha prossegue, esperando-se que as alegações de defesa por parte dos dois países sejam entregues até à data limite da próxima sexta-feira.

Fora da zona euro, também subiram as yields dos títulos do Tesouro norte-americano e das obrigações inglesas, afastando-se de mínimos históricos recentes. As yields das primeiras subiram de 1,36% para 1,56%, e as das segundas de 0,73% para 0,84%. No ‘clube’ das taxas negativas a 10 anos permanecem, de pedra e cal, as yields das obrigações japonesas e suíças, que, no entanto, também subiram, afastando-se de mínimos históricos em terreno negativo.

A tentativa de golpe de estado na Turquia, um membro da NATO, na sexta-feira à noite, foi anunciada minutos depois do fecho de Wall Street pelo que não chegou a afetar os mercados financeiros. O risco na Europa aumentou em virtude do ato terrorista ocorrido em Nice no dia 14 de julho e do aviso dos analistas para a possibilidade de multiplicação de atos de “imitação” este verão, segundo o jornal britânico “The Telegraph”.

  • Portugal coloca €1155 milhões e paga menos em juros

    O IGCP realizou esta quarta-feira dois leilões de obrigações a 6 e 10 anos, emitindo 571 milhões e 584 milhões de euros respetivamente. Pagou taxas inferiores às registadas em operações similares anteriores nas duas linhas

  • O índice mundial bolsista subiu 2,6% durante a semana, apesar de ter caído 0,12% na sexta-feira, com o choque provocado pelo atentado na Riviera francesa. O índice Eurostoxx 50 ganhou mais de 4% em termos semanais. O PSI 20, em Lisboa, subiu 2,4% durante a semana