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Banco de Inglaterra não desce taxa de juros

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Ao contrário das expetativas dos analistas, o banco central britânico não decidiu cortar a taxa de juro, que está em mínimo histórico de 0,5%, nem ampliar o programa de compra de ativos. Libra dá um salto de valorização. Bolsa cai

Jorge Nascimento Rodrigues

O Reino Unido volta a surpreender. Ao contrário do que os analistas esperavam, o Banco de Inglaterra (BoE) decidiu, na sua reunião desta quarta-feira, não mexer no quadro de política monetária, mantendo a taxa de juro de referência em 0,5% e o nível do programa de compra de ativos em 375 mil milhões de libras.

A votação foi de 8 a favor da não mexida e 1 contra, o belga Gertjan Vlieghe, que advogaria um corte de 25 pontos base hoje e novo movimento na reunião de 4 de agosto.

Os analistas esperam, agora, que a reunião de agosto marque a aprovação de um pacote de medidas.

A libra que já estava a valorizar 0,9% durante a sessão desta quarta-feira, antes do anúncio da decisão, teve um disparo de 1% no momento em que foi comunicada a decisão de deixar tudo na mesma e adiar eventualmente para agosto a reação ao Brexit.

O "sentimento" na bolsa de Londres alterou-se de imediato. O índice FTSE 100, que estava a gahar 0,94% durante a sessão, caiu para terreno negativo, a perder 0,04%; uma quebra de quase 1%.

O governador do BoE deverá ainda esta quarta-feira reunir com o novo chanceler do Tesouro (ministro das Finanças), Philip Hammond, o ex-ministro dos Estrangeiros do governo de David Cameron. Hammond disse hoje que o novo governo chefiado por Theresa May considera que não é necessário um orçamento extraordinário em virtude dos impactos do Brexit. Uma posição contrária há que defendera o anterior chanceler George Osborne, que ameaçou com um retificativo se o Brexit ganhasse.

A subida que se estava a registar nas bolsas europeias sofreu um abrandamento depois da comunicação da decisão do BoE. O índice Eurostoxx 50, que estava a ganhar 1,26% antes da decisão, abrandou para 0,35%. E o Eurostoxx 600, que avançava 0,95%, abrandou para 0,5%.

Na agenda de reuniões de bancos centrais, seguem-se o Banco Central Europeu a 21, a Reserva Federal a 27, e o Banco do Japão a 29. Também a 29 de julho, a Autoridade Bancária Europeia divulgará os resultados dos testes de stresse aos bancos da União Europeia, o que poderá clarificar a situação dos grandes bancos alemães, franceses e italianos, que lideram as maiores quedas bolsistas desde início do ano no índice Eurostoxx 50.