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Juros da dívida em baixa, uma hora antes de Portugal regressar ao mercado

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Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos desceram esta quarta-feira para 3,09% na abertura do mercado secundário da dívida soberana da zona euro. O IGCP realiza dois leilões de dívida a vencer em 2022 e 2026 a meio desta manhã

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, estão esta quarta-feira em queda na abertura do mercado secundário da dívida soberana da zona euro. O movimento de baixa abrange todos os periféricos da zona euro, mas as yields para as OT e para as obrigações irlandesas são as que estão a descer mais naquele prazo.

A taxa das OT a 10 anos abriu no mercado secundário em 3,09%, quatro pontos base abaixo do fecho de terça-feira, quando subiram dois pontos base em relação ao dia anterior. O mínimo em julho registou-se dia 4, com as yields a descerem para 2,984, abaixo do limiar dos 3%. O pico nos últimos trinta dias verificou-se a 16 de junho, com as yields a fecharem em 3,42%, em virtude da opção pelo Brexit atingir o máximo nas sondagens. A 24 de junho, no dia do ‘choque’ de divulgação da vitória do Brexit no referendo do dia anterior, as yields fecharam em 3,36%.

Portugal regressa hoje ao mercado primário obrigacionista com o IGCP a realizar dois leilões das linhas de OT que vencem em 2022 (referência atual a 6 anos) e em 2026 (referência a 10 anos), pretendendo emitir entre 1000 a 1250 milhões de euros.

É a primeira operação obrigacionista do terceiro trimestre e ocorre no dia seguinte ao Conselho do Ecofin (ministros das Finanças e da Economia da União Europeia) ter aprovado a recomendação da Comissão Europeia ao considerar que Espanha e Portugal não cumpriram as metas fixadas em 2013 para a eliminação, até 2016 e 2015 respetivamente, do défice orçamental excessivo (3% do PIB ou mais), o que pode abrir caminho a sanções. O Fundo Monetário Internacional foi mais longe no recente relatório sobre a zona euro e considerou Portugal reincidente em 2015.

Como referência, em relação às últimas operações realizadas pelo IGCP naqueles prazos, a 6 de abril, numa sindicação da OT que vence em 2022, a agência colocou 1000 milhões de euros pagando 2,576%. A 11 de maio, num leilão da linha que vence em 2026, a agência colocou 1150 milhões de euros pagando 3,252%.