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Credores aprovam liquidação da dona do “Económico”

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Assembleia de credores decide por maioria a liquidação da editora ST&SF, responsável pela edição do jornal Diário Económico” e que acumulou mais de 8 milhões em dívidas a trabalhadores, fornecedores, bancos e segurança social

Os credores da editora ST&SF - empresa do universo Ongoing responsável pela edição do "Diário Económico" - aprovaram esta quarta-feira a liquidação da empresa. A decisão foi tomada por maioria numa assembleia geral de credores que formalizou um pedido ao juiz responsável pelo processo para que delibere a destituição da administradora de insolvência Paula Mattamouros Resende, por discordarem da forma como esta tem gerido o processo de insolvência da ST&SF.

As críticas à administradora de insolvência já se tinham feito sentir em junho, quando uma outra assembleia de credores foi adiada por ter sido entendido que deveria ser feita uma revisão do relatório inicial de insolvência, que considerava a greve dos trabalhadores da ST&SF um dos fatores que tinha conduzido ao fecho do jornal.

Aprovada agora a liquidação da ST&SF, os trabalhadores que ainda se mantêm vinculados à empresa deverão agora ver iniciado o processo de despedimento coletivo. O passo seguinte será a ativação do recurso ao Fundo de Garantia Salarial, mecanismo que permite aos trabalhadores de empresas insolventes recuperarem (pelo menos parcialmente) os salários em atraso. Entre os trabalhadores atuais e ex-trabalhadores da ST&SF ouvidos pelo Expresso, o fundo de garantia salarial é mesmo a única esperança que a maioria tem de ainda vir a receber algum dos créditos que têm sobre a editora, dado que já poucos acham possível vir a receber algumas das indemnizações a que teriam direito.

A S.T.&S.F. acumulou cerca de €8,3 milhões em dívidas a trabalhadores, fornecedores, bancos e segurança social. A lista provisória de credores compilada pela administradora do processo especial de revitalização (PER) da empresa identificou 192 credores, pertencendo ao Instituto de Segurança Social e ao Novo Banco os maiores montantes reclamados: €3,2 milhões no caso da Segurança Social e €1,2 milhões por parte do banco que resultou da implosão do BES.

O pedido de insolvência da editora do "Diário Económico" foi feito pela própria administração da ST&SF em março, depois de terem falhado as negociações que foram mantidas desde o verão de 2015 com vários potenciais investidores interessados em comprar o jornal. Na altura, a administração da empresa justificou o pedido de insolvência com o facto de entender que era "o quadro legal que melhor protege os interesses dos trabalhadores".

Já depois do pedido de insolvência da ST&SF, o acionista maioritário da empresa que detém o jornal "OJE", Luís Figueiredo Trindade, chegou em junho a um princípio de acordo com a Ongoing para assumir a propriedade do canal de televisão ETV e da versão digital do "Diário Económico", que se mantiveram ativos.

A operação de venda não chegou, no entanto, a ser formalizada, dado que o desenho final da operação estava ainda dependente de decisões que só poderiam ser tomadas depois de fechado o dossiê da insolvência da ST&SF. Isto porque, embora a ETV e o site Económico sejam propriedade das empresas Económico TV - New Media, SA e Económica Digital - Informação Financeira Lda. (que não têm ligação direta à ST&SF), os trabalhadores que têm assegurado a continuidade do site e do canal de TV desde que o "Diário Económico" deixou de ser publicado estão vinculados à ST&SF e não às empresas que detêm estes meios.

(Notícia atualizada a 21.07.2016. Ao contrário do referido na notícia original, as razões invocadas por alguns credores da ST&SF para pedirem a destituição da administradora de insolvência da empresa, Paula Mattamouros Resende, não estiveram relacionadas com a alegada não reclamação de créditos que a editora do “Diário Económico” tinha sobre outras empresas do grupo Ongoing.)