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Católica corta previsões e espera crescimento económico de 0,9% este ano

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Os números hoje divulgados pela Católica são mais pessimistas do que os do Governo, que espera que a economia portuguesa cresça 1,8% este ano e também no próximo

Lusa

A Universidade Católica reviu hoje em baixa as previsões do crescimento português para este ano, esperando agora um crescimento de 0,9% (menos 0,4 pontos percentuais), considerando que "a economia está praticamente estagnada".

Na sua folha trimestral de conjuntura hoje divulgada, o Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP) apresenta também novas previsões tanto para 2017 como para 2018, tendo ambas sido cortadas em 0,6 pontos percentuais.

O NECEP espera que o PIB cresça de 1,1% em 2017, "tendo em conta os sinais de adiamento no investimento, as perspetivas mais baixas de crescimento na zona euro (1,2%) e as necessidades adicionais de ajustamento orçamental nos próximos dois anos". Já para 2018, a projeção aponta para um crescimento de 1,4%.

Os números hoje divulgados pela Católica são mais pessimistas do que os do Governo, que espera que a economia portuguesa cresça 1,8% este ano e também no próximo e que acelere ligeiramente o ritmo de crescimento em 2018, para os 1,9%.

"No segundo trimestre de 2016, a economia portuguesa deve ter registado um crescimento de 0,1% face ao trimestre anterior e um crescimento homólogo de 0,7%", escrevem os economistas da Católica.

Os investigadores consideram que esta previsão "sugere que a economia está praticamente estagnada desde o segundo semestre de 2015", uma vez que no primeiro trimestre o PIB cresceu 0,2% em cadeia e 0,9% em termos homólogos.

Para o NECEP, os riscos para a economia "são agora predominantemente descendentes". Em causa está "uma forte preocupação com a evolução do investimento", que voltou a recuar no início do ano, o que sugere que "o processo de recuperação da economia portuguesa sofreu uma interrupção".

Entre os "principais riscos" apontados pelo NECEP estão os relativos à capitalização do setor bancário e os que têm a ver com o processo de consolidação das finanças públicas, "que deixou de ser uma prioridade de política económica para o Governo".

Por isso, os economistas da Católica esperam que "os valores nominais para o défice orçamental em 2016 ficarão acima do limiar de 3%" e alertam que isto "irá provavelmente obrigar a que os próximos dois orçamentos tenham medidas significativas de consolidação orçamental" que permitam cumprir os objetivos do Programa de Estabilidade 2016-2020.

Também os resultados do referendo no Reino Unido, que ditaram a saída do país da União Europeia, "aumentaram significativamente a incerteza sobre a economia britânica", tendo como consequência "uma forte redução das perspetivas de crescimento para este ano, o que coloca também em risco de recessão as economias da zona euro".