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Juros da dívida portuguesa em alta. Bolsa de Lisboa com ganhos

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Os juros das obrigações do Tesouro português a 10 anos registam esta segunda-feira uma subida no mercado secundário, enquanto os relativos às obrigações espanholas estão sem alteração, a algumas horas da reunião do Eurogrupo em Bruxelas. Bolsas de Tóquio e Sidney registam ganhos significativos. Europa negoceia no verde, com Frankfurt a liderar

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, estão, esta segunda-feira, em alta no mercado secundário da dívida soberana na zona euro. Pelas 9h (hora de Portugal) subiam para 3,11%, descendo, quinze minutos depois, para 3,1%, cinco pontos base acima do fecho na sexta-feira passada. Depois de um mínimo em 2,984% a 4 de julho, as taxas desta linha obrigacionista que vence em 2026 têm-se mantido no patamar dos 3%.

No caso das obrigações espanholas, no mesmo prazo, as yields estacionaram, pelas 9h15 (hora de Portugal) em 1,15%, o mesmo valor de fecho das duas últimas semanas.

A dívida portuguesa no mercado secundário está a revelar-se mais "sensível" do que a espanhola ao processo de eventuais sanções da Comissão Europeia, neste início de uma semana com um evento crítico amanhã.

A poucas horas da reunião do Eurogrupo – órgão informal dos ministros das Finanças da zona euro – que deverá preparar a decisão de terça-feira do Conselho do Ecofin (ministros das Finanças e da Economia da União Europeia) sobre a decisão do colégio de comissários europeus da semana passada confirmando que Portugal não corrigiu o défice excessivo no prazo limite em 2015 e que Espanha não o cumprirá no prazo limite em 2016. Luís de Guindos, ministro de Economia de Espanha, projeta um défice orçamental de 3,6% do PIB no final de 2016, depois de ter fechado o ano anterior com um défice de 5%.

Recorde-se que o Fundo Monetário Internacional, no seu relatório sobre a zona euro publicado na sexta-feira, apontava Portugal como um caso de reincidência, em 2014 e 2015, e defendia a necessidade de a Comissão Europeia acionar os procedimentos por desequilíbrios excessivos em relação a reincidentes. Portugal regressa ao mercado de dívida obrigacionista no dia seguinte ao veredicto do Ecofin com dois leilões de linhas obrigacionistas que vencem em 2022 e 2026.

Ásia e Europa no verde

No mercado bolsista, a Ásia Pacífico fechou a sessão desta segunda-feira com fortes ganhos em Tóquio e Sidney e um encerramento ‘misto’ na China, com Xangai em terreno positivo e Shenzhen no vermelho.

A Europa abriu no verde, com o índice Dax de Frankfurt a liderar as subidas e o PSI 20, da bolsa de Lisboa, a seguir a trajetória europeia, registando um ganho de 0,93% pelas 9h15 (hora de Portugal).

Tóquio lidera as subidas asiáticas, com o Nikkei 225 a avançar 3,98% e o índice da bolsa australiana em Sidney, o ASX 200, encerrou a sessão com ganhos de 2,04%. As bolsas de Hong Kong, Seul e Taipé fecharam com subidas de mais de 1%. Na China, o índice composto de Xangai avançou 0,23%, mas o de Shenzhen (bolsa das tecnológicas no Sul da China) recuou 0,56%.

Na Europa, o Dax lidera as subidas, com o Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) a registar um ganho de quase 1%. O índice FTSE 100, na bolsa de Londres, sobe 0,51%.

Dois resultados eleitorais estão a animar a “região” a Oriente. A coligação Liberal Nacional na Austrália ganhou as eleições de 3 de julho, tendo o líder da Oposição, do Partido Trabalhista, reconhecido no domingo que o primeiro-ministro incumbente poderá formar governo de maioria. No Japão, depois da vitória da coligação que suporta o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe nas eleições para a Câmara Alta realizadas este domingo, os analistas esperam uma remodelação do governo em agosto que reforce a coordenação entre a ação orçamental e o Banco do Japão no combate à deflação.

  • Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos ‘estacionaram’ nos 3%, com um aumento ligeiro durante a semana que findou. No caso das obrigações espanholas, os juros não tiveram alteração. Juros caíram significativamente em relação ao pico recente na ‘sexta-feira negra’ pós- Brexit

  • O índice do conjunto das bolsas europeias ainda está 8% abaixo do nível que registava a 23 de junho, antes de conhecidos os resultados do referendo britânico. Atenas, Dublin e Milão são o trio em pior situação, com recuos superiores a 10%. Budapeste, Londres e Zurique já registam ganhos. PSI 20, da bolsa de Lisboa, está, ainda, 4% abaixo

  • A deriva para juros negativos de grande parte da dívida de médio e longo prazo alemã, japonesa e suíça e a queda para mínimos dos juros das obrigações britânicas e norte-americanas empurram mercados da dívida para pior momento de risco desde 2011. O Brexit acelerou este processo