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Bolsa de Lisboa foi segunda nos ganhos na Europa. Juros da dívida sobem

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As bolsas europeias registaram subidas esta segunda-feira, com Varsóvia, Lisboa e Frankfurt a liderarem nos ganhos. PSI 20 avança 2,17%. BCP sobe 6%. Juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos fecham em 3,09%, mais 'sensíveis' ao risco de sanções do que a dívida espanhola. Itália, o elo mais fraco

Jorge Nascimento Rodrigues

Os mercados financeiros na Europa fecharam esta segunda-feira com os índices bolsistas em alta e o mercado da dívida soberana da zona euro a revelar uma 'sensibilidade' maior de Portugal e da Itália aos temas que a reunião dos ministros das Finanças do Eurogrupo debate em Bruxelas – as recomendações da Comissão Europeia para eventuais sanções a Portugal e Espanha a votar na reunião do Conselho do Ecofin de amanhã e as divergências sobre as medidas a tomar para a situação da banca italiana.

As bolsas de Varsóvia, Lisboa e Frankfurt lideraram esta segunda-feira as subidas dos principais índices europeus. O WIG 20 em Varsóvia avançou 2,35%, o PSI 20 em Lisboa subiu 2,17% e o Dax em Frankfurt registou ganhos de 2,12%. O índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) avançou 1,62% e o Eurostoxx 600 (de 600 cotadas em 18 países europeus) ganhou 1,64%. Em Londres, o FTSE 100 subiu 1,4%.

Em Lisboa, os títulos do BCP subiram 6%. No PSI 20, registaram-se três títulos com quedas – Pharol, Montepio e Sonae Capital.

Depois das bolsas no Extremo Oriente terem encerrado esta segunda-feira com ganhos de 1,9%, segundo o índice MSCI para a Ásia Pacífico, a Europa fechou a subir 1,66%, segundo o índice MSCI respetivo. As bolsas de Nova Iorque negociavam com ganhos mais modestos, de cerca de 0,3%-0,4%, quando os mercados financeiros encerraram na Europa.

No mercado da dívida soberana da zona euro, as yields das Obrigações do Tesouro português (OT), a 10 anos, subiram quatro pontos base fechando em 3,093%. Chegaram a subir para 3,13% pelas 15h30 (hora de Portugal). As yields das obrigações italianas naquele prazo subiram dois pontos base encerrando em 1,21%. No caso das obrigações espanholas, as yields mantiveram-se em 1,15%, sem alterações no valor de fecho de sexta-feira passada.

Itália, o elo mais fraco

Apesar do foco no processo de sanções a Portugal e Espanha por incumprimento dos planos traçados em 2013 para a eliminação dos défices orçamentais excessivos até 2015 e 2016 respetivamente e dos impactos do Brexit, muitos analistas consideram a situação da banca italiana como o ponto critico atual na zona euro.

“A Itália é agora o elo mais fraco na Europa – tem uma crise de dívida, uma crise bancária e uma crise económica”, afirmou esta segunda-feira Marcel Fratzscher, responsável pelo Instituto Alemão de Investigação Económica, ao jornal alemão “Handelsblatt”. Por seu lado, Clemens Fuest, presidente do Ifo, o influente think tank de Munique, disse ao mesmo jornal que “a Itália representa atualmente a maior ameaça económica à zona euro”.

Recorde-se que o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, pretende realizar uma injeção de 40 mil milhões de euros. Fontes de Bruxelas admitiram ao referido jornal alemão que a Comissão Europeia estaria disposta a discutir com Roma um plano de precaução para a recapitalização da banca transalpina, desde que grandes investidores institucionais, como os fundos de pensões, aceitassem algumas perdas.

Esta alegada flexibilidade dos comissários tem forte oposição na Alemanha, que não quer exceções na aplicação do quadro da Diretiva de Recuperação e Resolução Bancária [conhecida pelo acrónimo em inglês BRRD) em vigor na União Europeia. Esta diretiva do Parlamento Europeu e do Conselho Europeu aprovada em 2014 estipulava a aplicação das regras de bail-in, de capitalização interna, “o mais tardar a partir de 1 de janeiro de 2016”.

No relatório sobre a economia italiana ao abrigo do Artigo IV, publicado esta terça-feira em Washington, a direção do Fundo Monetário Internacional alerta que a aplicação da diretiva europeia exige que “as preocupações relacionadas com o bail-in [recapitalização interna] dos pequenos investidores devam ser tratadas de forma adequada”.

Esta terça-feira, David Folkerts-Landau, economista-chefe do Deutsche Bank, sugeriu que a União Europeia terá de criar um fundo de resgate de 150 mil milhões para a recapitalização dos bancos do continente europeu.