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Juros da dívida de Espanha e Portugal à espera do veredicto do Ecofin

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Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos ‘estacionaram’ nos 3%, com um aumento ligeiro durante a semana que findou. No caso das obrigações espanholas, os juros não tiveram alteração. Juros caíram significativamente em relação ao pico recente na ‘sexta-feira negra’ pós- Brexit

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT), no prazo de referência a 10 anos, subiram ligeiramente três pontos base fechando na sexta-feira em 3,05%. No caso das obrigações espanholas naquele prazo, as yields mantiveram-se em 1,15%.

Quanto aos restantes periféricos da zona euro, as yields das obrigações italianas no prazo de referência caíram para 1,19% e as relativas às obrigações irlandesas fixaram mínimos históricos abaixo de 0,5%, fechando a semana em 0,44%. As obrigações gregas a 10 anos continuam a sofrer uma subida, tendo fechado em 8,11%, dezasseis pontos base acima do encerramento na semana anterior.

Em relação ao pico recente motivado pelo impacto do Brexit, as yields das OT a 10 anos desceram 32 pontos base. Recorde-se que chegaram a fechar em 3,37% em 24 de junho – mesmo assim distante do máximo do ano a 11 de fevereiro (crise do Grexit), quando encerraram a sessão em 4,1%, e abaixo de 3,42% registado a 16 de junho, quando a maioria das sondagens no Reino Unido davam uma vitória ao Brexit (depois do assassinato da deputada trabalhista, os resultados inverteram-se até às últimas sondagens divulgadas antes do referendo no dia 23 de junho).

As maiores descidas de yields no prazo de referência, em relação à ‘sexta-feira negra’ pós-Brexit, registaram-se para a dívida grega (-66 pontos base), espanhola (-49 pontos base) e irlandesa (-40 pontos base). A menor descida nos periféricos ocorreu com a dívida italiana (-30 pontos base).

Na semana que findou, o prémio de risco da dívida espanhola subiu 14 pontos base para 136 pontos (um diferencial de cerca de 1,4 pontos percentuais em relação co custo de financiamento da dívida alemã, que serve de referência) e o relativo à dívida portuguesa aumentou 12 pontos base para 325 pontos (cerca de 3,3 pontos percentuais acima da referência alemã).

A dívida espanhola e portuguesa enfrenta um momento de risco já na terça-feira esperando o veredicto do conselho do Ecofin (ministros de Economia e Finanças da União Europeia) sobre a decisão do colégio de comissários europeus da semana passada confirmando que Portugal não corrigiu o défice excessivo no prazo limite em 2015 e que Espanha não o cumprirá no prazo limite em 2016. Luís de Guindos, ministro de Economia de Espanha, projeta um défice orçamental de 3,6% do PIB no final de 2016, depois de ter fechado o ano anterior com um défice de 5%.

Na segunda-feira reúne-se o Eurogrupo - o órgão informal dos ministros das Finanças da zona euro - que preparará a decisão do dia seguinte.

Recorde-se que o Fundo Monetário Internacional, no seu relatório sobre a zona euro publicado na sexta-feira, apontava Portugal como um caso de reincidência, em 2014 e 2015, e defendia a necessidade de a Comissão Europeia acionar os procedimentos por desequilíbrios excessivos em relação a reincidentes.

Portugal regressa ao mercado de dívida obrigacionista no dia seguinte ao Ecofin com dois leilões de linhas obrigacionistas que vencem em 2022 e 2026.

Em Espanha, o processo até uma decisão final sobre eventuais sanções por parte da Comissão Europeia poderá coincidir no início de agosto com a investidura de um novo governo na sequência das últimas eleições que reforçaram a posição do primeiro-ministro Mariano Rajoy, mas sem que o Partido Popular tenha obtido maioria absoluta no Congresso dos Deputados.

  • O índice do conjunto das bolsas europeias ainda está 8% abaixo do nível que registava a 23 de junho, antes de conhecidos os resultados do referendo britânico. Atenas, Dublin e Milão são o trio em pior situação, com recuos superiores a 10%. Budapeste, Londres e Zurique já registam ganhos. PSI 20, da bolsa de Lisboa, está, ainda, 4% abaixo