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“A Caixa é o banco do Bloco Central”

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Paulo Pinho, professor da Nova Business School e da londrina Cass Business School

Luis Barra

Economista, consultor, doutorado em banca e finanças, Paulo Pinho é professor da Nova Business School e da londrina Cass Business School. Tece duras críticas ao modelo de governação da Caixa Geral de Depósitos (CGD), que diz ser o banco menos transparente da banca nacional, e questiona a forma como o crédito foi concedido nos últimos anos. Defende a responsabilização dos gestores que cometeram erros e espera que a Comissão Parlamentar de Inquérito ponha a nu as operações mais problemáticas

Está em curso uma recapitalização da Caixa. Fala-se em €4 mil milhões. Que futuro tem o banco público?

A Caixa tem todas as condições para ser rentável. Ninguém nunca duvidou da sua solvência. Tem uma atuação comercial que podia ser melhor, mas é mais respeitadora dos direitos dos clientes do que os outros bancos. Tem uma boa gestão de ativos. Tem provavelmente o único banco de investimento digno de nome, e de base nacional, depois da morte do BESI.

Então, porque não tem sido rentável?

Devido à política de crédito seguida.

Desde quando?

Desde sempre. Ainda um destes dias, numa conferência onde estavam dois antigos presidentes da CGD, um deles disse que impôs como condição ao Governo para liderar a Caixa que este assumisse a responsabilidade das operações de crédito que quisesse fazer e que tivessem natureza política. Há um conjunto de situações da mais variada natureza para a atribuição de crédito, mas a Caixa fez créditos por razões de natureza política. Seria interessante ver discutido na comissão parlamentar de inquérito (CPI) até onde houve interferência política, até onde foi dado crédito tendo como beneficiárias entidades privadas sem condições de risco para que houvesse a aprovação e apenas porque um responsável político o mandou fazer. Situações desse tipo são, do ponto de vista prático, não do jurídico, equivalentes a um ministro passar um subsídio direto à empresa em causa.

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