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Exportadores pedem benefícios fiscais a Costa

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Ana Baião

Dirigentes das associações de exportadores foram recebidos em São Bento. Pediram “discriminação fiscal positiva” para o sector. Foi a segunda reunião de António Costa com representantes desta área. Para a semana haverá Conselho Estratégico para a Internacionalização da Economia

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Os dirigentes das principais associações dos setores da exportação foram chamados ontem a São Bento para uma reunião com o Primeiro-ministro. Aproveitaram a “conversa de cá para lá” para defender o investimento na marca Portugal e a discriminação positiva das empresas exportadoras a nível fiscal.

Foram quatro horas de reunião e “debate intenso” em nome das exportações, mas o balanço final feito ao Expresso por alguns dirigentes associativos “é positivo” e ninguém parece dar o tempo por perdido, tanto mais que foi feito um conjunto de propostas que as associações acreditam que poderão ter um impacto positivo ao quadro atual.

Em concreto, são medidas como os estímulos fiscais, designadamente a discriminação positiva das empresas exportadoras por via fiscal e a majoração de incentivos a ações de internacionalização. Uma ideia que reúne consenso é incentivar os investimentos das empresas para ganharem escala e consolidarem a sua presença no mercado externo através de apoios fiscais.

Também o fortalecimento da marca Portugal ou a aproximação da oferta “Made in Portugal” aos clientes finais nos países de destino, ultrapassando intermediários para chegar mais longe na cadeia de distribuição e ganhar valor foram ideias abordadas na conversa.

Dar gás às exportações

A convocatória do Primeiro-ministro chegou às associações representativas de alguns dos principais setores com peso nas exportações nacionais há uma semana e deixou desde logo claro o objetivo final do encontro: dar gás ao peso das exportações no PIB, melhorar o desempenho das vendas das empresas portuguesas no exterior, ouvir os dirigentes associativos sobre o que pode e deve ser feito neste sentido.

Recorde-se que a meio de junho realizou-se um primeiro encontro do Primeiro-ministro com grandes empresas exportadoras também com o objetivo de “ouvir os agentes económicos sobre aspetos que condicionam a sua atividade e sobre medidas que o Governo possa tomar para promover as exportações portuguesas”, segundo revelou na altura uma fonte governamental.

Tal como agora, o encontro só foi revelado posteriormente, tendo estado presentes empresas como a TAP, Petrogal, Portucel, Autoeuropa, Continental Mabor, Repsol, Mota-Engil, Unicer ou IKEA, entre cerca de 20 empresas no total. Entre os temas abordados estiveram “temáticas da logística, do quadro regulatório e dos custos energéticos”.

Desta vez, estiveram representados setores como os têxteis, calçado, cortiça, metalurgia, mobiliário, cerâmica e agricultura. António Costa, por sua vez, fez-se acompanhar dos ministros da Economia, Trabalho e Negócios Estrangeiros e dois secretários de Estado.

“De cá para lá”

“Sentimos que foi uma conversa de cá para lá. Do lado do Governo, estavam verdadeiramente interessados em ouvir o que tínhamos para dizer. Manifestaram espírito de colaboração. Aliás, o facto de este ter sido um encontro privado mostra que o objetivo principal era trabalhar e não fazer propaganda”, sublinhou o presidente de uma das associações presentes, para quem, aliás, ficou clara a ideia de que este tipo de encontros terá continuidade no futuro.

“Foi bom ver que depois da prioridade dada às questões políticas e distribuição de rendimentos, chegou a hora de o Governo olhar para a economia e para as empresas”, refere um dirigente de outra associação.

Entre os presentes, ficou clara a ideia de que “há preocupação sobre o desempenho recente do comércio externo e a sua evolução” e vontade de dar a volta a este quadro, agora mais complicado com o cenário do Brexit, e aumentar o peso das exportações no PIB.

Por isso, terá surgido este encontro – “complementar ao que foi realizado em junho, com empresários das maiores exportadoras” –, para fazer um ponto da situação do que se passa em cada um dos setores, analisar perspetivas futuras e ouvir sugestões de medidas a implementar para dinamizar as vendas ao exterior.