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Tempestade nos mercados: libra em novo mínimo de 31 anos, vaga de juros negativos aumenta

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A divisa britânica caiu durante a sessão asiática para 1,2797 dólares, um câmbio que não se registava desde junho de 1985. Juros das obrigações japonesas e alemãs fixam novos mínimos históricos em terreno negativo. Ouro em máximo de dois anos

Jorge Nascimento Rodrigues

A libra esterlina atingiu um novo mínimo de 31 anos durante a sessão asiática desta terça-feira. O cambio da libra face ao dólar caiu para 1,2797 dólares, o que já não se registava desde junho de 1985. A moeda britânica já perdeu 14% face à divisa norte-americana desde 23 de junho, o dia anterior à vitória do Brexit no referendo no Reino Unido. A 23 de junho, a libra trocava-se por 1,49 dólares. Depois do mínimo na sessão asiática de hoje, a libra abriu a sessão europeia em 1,29 dólares.

O preço do ouro atingiu no final da sessão asiática um máximo de dois anos. A onça do metal precioso cotava-se em 1373,7 dólares pelas 6h30 (hora de Portugal), uma subida de 8,9% em relação a 23 de junho, antes do referendo britânico. No início do ano, a onça valia 1060,30 dólares. O aumento de mais de 310 dólares significa uma subida do preço de quase 30%. O metal amarelo é considerado um valor refúgio.

No mercado secundário da dívida soberana prossegue a deriva para mínimos históricos em yields negativas em algumas das principais economias desenvolvidas, com destaque para Alemanha e Japão na sessão asiática desta quarta-feira. Taxas negativas de remuneração das obrigações significam que o investidor não só não recebe um juro nominal pelo título que adquire aos Estados como “paga” uma taxa para comprar e deter em carteira esses ativos que entende serem seguros.

Durante a sessão asiática de hoje, as yields das obrigações nipónicas a 10 anos fixaram um novo mínimo histórico em -0,281% e as relativas às obrigações a 20 anos aproximaram-se de 0%. O Japão regista taxas negativas na sua dívida até ao prazo de 15 anos inclusive.

Na Europa, as yields das obrigações alemãs a 10 anos fixaram um novo mínimo em -0,192% e as relativas ao prazo a 15 anos estão em mínimo histórico de 0,03% fixado na terça-feira. A dívida germânica regista taxas negativas até ao prazo de 15 anos inclusive, tal como o Japão. Até ao prazo de 7 anos, as yields das obrigações alemãs já estão abaixo de -0,4%, o limite negativo inferior para o Banco Central Europeu adquirir títulos no mercado secundário ao abrigo do programa em vigor desde março do ano passado.

Dez economias têm mais de 50% da sua dívida com taxas negativas

Segundo a Bloomberg, o valor da dívida nas economias desenvolvidas que regista taxas abaixo de 0% subiu de 9 biliões para 10 biliões de dólares em uma semana. A yield até à maturidade de toda a dívida obrigacionista das economias desenvolvidas caiu para 0,4%, segundo o índice da Bloomberg que abarca 1100 linhas de obrigações emitidas, com uma duração média de 9,8 anos. A título comparativo, a yield até à maturidade da dívida obrigacionista portuguesa está em 2,16% e o prazo médio é de 7,54 anos, ainda segundo o índice da Bloomberg.

Segundo o Citi Research, citado pelo “Financial Times” de hoje, 35% do valor (em dólares) do World Global Bonds Index (índice que diz respeito à dívida emitida por economias desenvolvidas) abrange obrigações soberanas com taxas negativas. Uma subida de 6 pontos percentuais em relação ao valor registado antes do Brexit.

O valor total de dívida emitida por economias desenvolvidas com taxas atualmente negativas é de 7,5 biliões de dólares, segundo o City Research. A agência Fitch aponta para 11,7 biliões de dólares em dívida com juros negativos.

O City Research refere que, atualmente, 10 economias desenvolvidas - Alemanha, Áustria, Dinamarca, Finlândia, França, Holanda, Irlanda, Japão, Suécia e Suíça - registam mais de 50% da sua dívida em obrigações com yields negativas. A Suíça tem 100% da sua dívida obrigacionista com taxas negativas e o Japão, Alemanha, Finlândia e Suécia registam mais de 70%. O Japão concentra 55% da dívida com taxas negativas no conjunto das economias desenvolvias; e juntamente com França e Alemanha somam 81% desse total com juros negativos.

Três periféricos do euro - Espanha, Itália e Irlanda - detêm 614,8 mil milhões de dólares em dívida com taxas negativas, um pouco mais de 8% de toda a dívida com juros abaixo de 0%. Mas só a Irlanda ultrapassa o limiar dos 50% da sua dívida com juros negativos; para Espanha a percentagem é de 25% e para Itália é de 20%.

  • Bolsas asiáticas em queda pelo segundo dia consecutivo. Praças europeias abrem esta quarta-feira a cair pela terceira sessão consecutiva. Depois de cinco sessões de recuperação do impacto do Brexit, índice mundial bolsista perde quase 1% na terça-feira. Confluência de diversos riscos