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Maré vermelha. Prossegue recaída nas bolsas

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Bolsas asiáticas em queda pelo segundo dia consecutivo. Praças europeias abrem esta quarta-feira a cair pela terceira sessão consecutiva. Depois de cinco sessões de recuperação do impacto do Brexit, índice mundial bolsista perde quase 1% na terça-feira. Confluência de diversos riscos

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas da Ásia Pacífico fecharam em terreno ‘misto’ esta quarta-feira, mas, globalmente, o índice MSCI para a “região” caiu pela segunda sessão consecutiva. Na Europa, as principais praças financeiras abriram no vermelho pelo terceiro dia consecutivo, com as quedas mais acentuadas, próximas de 1%, a registarem-se nas bolsas de Madrid, Milão e Paris.

O índice PSI 20 da bolsa de Lisboa estava em linha com a trajetória negativa europeia, perdendo, na abertura, 0,8%. O índice FTSE 100 da bolsa londrina registava ganhos na abertura. Os futuros em Wall Street estão em terreno negativo, indiciando uma abertura de Nova Iorque no vermelho pelas 14h30 (hora de Portugal).

A Ásia Pacífico registou ganhos nas bolsas de Xangai e Shenzhen, inferiores a 0,5%, e perdas superiores a 1,5% em Tóquio, Seul e Taipé. O índice nipónico Nikkei 225 liderou as quedas perdendo 1,85% esta quarta-feira.

As bolsas fecharam terça-feira a perder 0,97%, segundo o índice MSCI mundial. Depois de cinco dias consecutivos com ganhos, este índice global recaiu no vermelho e a volatilidade subiu 7% na Europa e em Wall Street e quase 3% em Tóquio. Desde 23 de junho, antes do referendo britânico que daria a vitória ao Brexit, o índice mundial perdeu, em termos acumulados, 2,5%. Sessões ‘negras’ ocorreram a 24 e 27 de junho, com uma quebra acumulada de quase 7%.

A “região” da Ásia Pacífico encerrou terça-feira a cair 0,52% e a Europa perdeu 1,84%, segundo os índices MSCI respetivos. Para a Ásia foi uma recaída e para a Europa foi uma segunda sessão consecutiva no vermelho. Em relação a 23 de junho, a Europa ainda está a perder 7,9%, em termos acumulados.

Convergência de diversos riscos

Os analistas falam da confluência de diversos riscos que estão a afetar negativamente o ‘sentimento’ dos investidores financeiros.

Do Reino Unido vieram na terça-feira a perspetiva macroeconómica e financeira do Banco de Inglaterra com avisos sobre a incerteza crescente derivada do Brexit e as notícias de que fundos de nomeada britânicos ligados ao imobiliário suspenderam os resgates. A Bloomberg refere que já houve três fundos que "puxaram para cima os portões" -- M&G Investments, Aviva Investors e Standard Life Investment.

Na Europa, aumenta a preocupação com a “tempestade perfeita” no sector bancário italiano, como a CNBC classificou ontem a situação. O jornal francês "Le Monde" titula a sua edição que sairá à tarde: "City teme uma crise financeira".

Finalmente, no mercado da dívida soberana há uma corrida às obrigações consideradas seguras com uma queda em terreno negativo das yields da dívida em vários países desenvolvidos, nomeadamente na Alemanha, Japão e Suíça.

Esta situação de deriva para taxas negativas está a criar nas economias desenvolvidas uma situação de “armadilha de ativos seguros” que poderá espoletar uma recessão, como já avisou o economista Pierre-Olivier Gourinchas, professor na Universidade da Califórnia em Berkeley, que, na semana passada, esteve em Sintra no Fórum do Banco Central Europeu. Em declarações ao Expresso sublinha que “se, a certo ponto, as yields não podem descer mais, mesmo em terreno negativo, o mecanismo de equilíbrio entre a oferta e a procura [no mercado da dívida] deixa de funcionar” e a situação rompe na economia real. “É a atividade económica que passa a ser o mecanismo de equilíbrio”, com a agravante de se gerar uma espiral: “a recessão exacerba a procura de ativos seguros, que, por sua vez, piora a situação”.