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Volatilidade nas bolsas. Novos mínimos históricos em juros negativos

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Europa e Nova Iorque fecham no vermelho esta terça-feira. Seis bolsas da zona euro com maiores quedas. PSI 20 fechou a perder mais de 2%. Juros negativos nas obrigações alemãs a 15 anos pela primeira vez. Juros das Obrigações portuguesas a 10 anos ‘estacionam’ nos 3%

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas europeias fecharam esta terça-feira no vermelho pelo segundo dia consecutivo e a praça de Nova Iorque, depois do feriado de 4 de julho, encerrou em terreno negativo, o que já não se registava há quatro sessões consecutivas. A volatilidade bolsista subiu 7% em Wall Street e na Europa e perto de 3% em Tóquio.

No mercado da dívida soberana prossegue a deriva para taxas negativas em cada vez maior número de prazos de obrigações de economias desenvolvidas com fixação de mínimos históricos. Outro sintoma da corrida a valores refúgio, é a valorização do ouro. Esta terça-feira o preço da onça subiu 0,5% fechando em 1358,80 dólares. Desde o dia anterior ao Brexit, quando o preço da onça estava em 1261,20 dólares, a valorização até hoje foi de 7,7%.

A incerteza sobre o desenrolar do processo de Brexit e os riscos da situação da banca transalpina e do quadro político aquando do referendo de outubro em Itália estão a marcar o ‘sentimento’ dos investidores financeiros.

Banco de Inglaterra decide primeira medida de alívio

A decisão do Banco de Inglaterra (BoE), anunciada hoje, em reduzir de 0,5% para 0% o nível de reservas obrigatórias dos bancos que deveriam funcionar como ‘almofadas’, flexibilizando “imediatamente” - como sublinhou Mark Carney, o governador do banco - o crédito às famílias e às empresas, deixou no ar a expetativa de mais medidas de estímulos, eventualmente já na próxima reunião de 14 de julho. Especula-se que a taxa de juro de referência possa descer dos atuais 0,5%.

O BoE reconheceu esta terça-feira no seu Relatório semestral sobre Estabilidade Financeira que “há evidência de que alguns riscos começaram a materializar-se”. A libra caiu para 1,30 dólares, desvalorizando 1,9% face ao dólar. Desde 23 de junho, no dia anterior ao Brexit, a libra já perdeu 12,6% face ao dólar e 11% face ao euro.

Seis países do euro na linha da frente das perdas

Esta terça-feira foram seis os membros da zona euro que registaram maiores quedas nas suas bolsas, incluindo quatro periféricos. O grupo foi liderado pela bolsa de Atenas, onde o índice Athex 20 recuou 3,39%. Seguiram-se, por ordem decrescente de descidas dos índices, a Áustria, Finlândia, Irlanda, Espanha e Portugal, com quebras no patamar dos 2%. Itália esteve hoje fora deste grupo.

Em Lisboa, o índice PSI 20 caiu 2,24% e três títulos caíram mais de 4% - Altri, Sonae e The Navigator Co (grupo Soporcel Portucel). Em Madrid, os bancos Sabadel e Banco Popular perderam mais de 4%. O índice Dax de Frankfurt não esteve no grupo de topo, mas perdeu 1,8%, com o Thyssen Krupp a cair 6,6%.

Em Londres, o índice FSTE 100 (das cem principais cotadas) subiu 0,35%, mas o FTSE 250 (das cotadas nas posições 101 a 250) caiu 2,37%.

As bolsas de Nova Iorque perderam 0,7%. O preço do barril de petróleo de Brent caiu hoje quase 4%, fechando em 48,14 dólares, abaixo dos 50 dólares em que se cotou nas últimas três sessões consecutivas.

Alemanha com juros negativos no prazo a 15 anos

No mercado secundário da dívida soberana prossegue a deriva para taxas de juro negativas em cada vez maior número de prazos das obrigações emitidas por algumas economias desenvolvidas. Este movimento significa que os investidores se dispõem a manter ou adquirir dívida não recebendo um juro nominal do devedor, e inclusive tendo de pagar uma taxa aos Estados emissores.

Esta terça-feira foi a primeira vez que as yields das obrigações alemãs a 15 anos fecharam em terreno negativo e caíram durante a sessão para um mínimo de -0,03%. O valor no encerramento da sessão foi de -0,019%. O Japão também fixou um mínimo histórico no prazo a 15 anos com as yields a descerem para -0,101% durante a sessão de hoje.

A Suíça já regista taxas negativas em toda a curva de prazos de obrigações, incluindo o mais longo a 50 anos.

A Irlanda ficou um mínimo no prazo a 10 anos com as yields das obrigações a descerem para 0,429% durante a sessão. No Reino Unido, depois da saída do Relatório do BoE, as yields das obrigações britânicas a 10 anos desceram para 0,771%, um novo mínimo histórico. A 27 de junho, já depois do Brexit, ainda registavam 1%.

No caso das Obrigações do Tesouro português a 10 anos ‘estacionaram’ nos 3%. Os máximos recentes registaram-se a 16 de junho, no pico das sondagens favoráveis ao Brexit, subindo para 3,43%, e no próprio dia 24 de junho quando foram anunciados de madrugada os resultados do referendo britânico, fechando, então, em 3,37%. Os máximos do ano verificaram-se na ‘quinta-feira negra’ de 11 de fevereiro, quando chegaram a 4,5%.