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E o presidente da Caixa é... ninguém

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DE SAÍDA O presidente da Caixa Geral de Depósitos, José de Matos

FOTO PAULO ALEXANDRINO

Administração da Caixa Geral de Depósitos demitiu-se antes da nova aceitar ser nomeada. Vazio de poder cria situação insólita: maior banco português está sem liderança. Durante quanto tempo?

Os trabalhadores souberam hoje: "Chegou ao fim a jornada em que convosco servimos a CGD". Assinado, Álvaro Nascimento e José de Matos. Os presidentes não executivo e executivo comunicavam assim de surpresa ao pessoal da Caixa Geral de Depósitos o que o ministro das Finanças sabia desde 21 de junho. A sua demissão.

A notícia é revelada pelo "Público", que assim confirma o mal-estar da antiga administração da Caixa, que, embora tivesse terminado o seu mandato no final do ano passado, permanecia em funções aguardado a nomeação da nova administração. O nome do novo presidente está escolhido pelo governo, António Domingues, mas não está ainda formalmente nomeado porque ainda não aceitou. Ou melhor, aceitou com condições que ainda não foram aprovadas e que não dependem apenas do Governo. O plano de capitalização e o plano de negócios.

O plano de capitalização, que exigirá um aumento de capital entre os quatro mil e os cinco mil milhões de euros, depende da aprovação da Direção-Geral da Concorrência, organismo da Comissão Europeia, que quer saber para que serve tanto dinheiro, se se trata de uma ajuda da Estado e se, nesse caso, implica "remédios" que nivelem a concorrência com os demais bancos. O processo está em andamento mas não tem ainda conclusão nem desfecho claro. São ja conhecidos alguns nomes para a nova administração da Caixa mas nem sequer a equipa completa.

Domingues exigiu escolher toda a equipa executiva e ter sinal verde para o aumento de capital, com o qual pretende não apenas "limpar" um legado de créditos em risco mas tambem devolver empréstimos ao Estado (sob a forma de CoCos) e financiar uma reestruturação da Caixa (que implicará mais de dois mil despedimentos e venda de participações com menos-valias).

A antiga administração da Caixa, que se sentiu desprezada durante o processo, não quis esperar mais e apresentou a sua demissão. A carta enviada ao ministro das Finanças adopta uma "linguagem dura", avança ainda o "Público", que dá conta de um braço de ferro entre a equipa de José de Matos e o Ministério liderado por Mário Centeno, que foi mantido em segredo até agora.

O Governo está agora pressionado para nomear a nova administração rapidamente, mas o próprio António Domingues pode ter de abdicar de gerir a sua agenda e aceitar a nomeação antes de estarem reunidas as condições que ele próprio impôs.

Na prática, isto significa que a Caixa Geral de Depósitos, o maior banco português, que é 100% detido pelo Estado, está sem administração, situação invulgar que deixa em suspenso a instituição. A pressão sobre o primeiro-ministro e o ministro das Finanças pode aliás ganhar contornos políticos. Até porque a Comissão Parlamentar de Inquérito à Caixa está prestes a arrancar.