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Bolsas. Europa abre no vermelho pelo segundo dia consecutivo

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Depois do Brexit, o risco deslocou-se para Itália. PSI 20 abre esta terça-feira em linha com trajetória descendente europeia. Bolsas asiáticas em terreno 'misto', com Tóquio e Hong Kong no vermelho

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas europeias abriram esta terça-feira em terreno negativo, com o índice Ibex 35, de Madrid, a destacar-se com uma queda de quase 1%. A Europa abriu hoje no vermelho depois de, no dia anterior, ter perdido 0,64% segundo o índice MSCI para a “região”.

O índice global Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) abriu a cair quase 0,9% e o Eurostoxx 600 (seiscentas cotadas em 18 países europeus) perdia quase 0,8%. O índice PSI 20, da bolsa de Lisboa, abriu a recuar 0,15%, depois de no dia anterior ter encerrado ligeiramente acima da linha de água.

Os futuros em Wall Street estão a negociar no vermelho, o que indicia uma abertura da bolsa de Nova Iorque em terreno negativo, depois de ter estado fechada na segunda-feira, em virtude do feriado do Dia da Independência.

A Ásia Pacífico deverá fechar ‘mista’ esta terça-feira. Tóquio já encerrou a sessão em terreno negativo e as duas bolsas chinesas de Xangai e Shenzhen fecharam com ganhos. A “região” registou, no dia anterior, um avanço de 0,82%, segundo o índice MSCI respetivo. Esta terça-feira deverá regressar ao vermelho, com Hong Kong e Mumbai ainda a negociarem em terreno negativo.

Risco desloca-se para Itália

Depois do ‘cisne negro’ do Brexit, os analistas focam-se, agora, na evolução da situação em Itália. Na segunda-feira, o índice MIB da bolsa de Milão caiu 1,74%, com o sector bancário a registar fortes perdas. Este índice já perdeu mais de 25% desde o início do ano (a título comparativo, o PSI 20, de Lisboa, caiu 15,4% no mesmo período). As ações do Banco Monte dei Paschi di Siena caíram na segunda-feira quase 14% e as do Banco Popolare Emilia Romagna recuaram quase 7%. Cinco bancos transalpinos já perderam entre 60% e quase 80% do valor desde início do ano (como referência, o BCP, na bolsa de Lisboa, já perdeu 62% desde o final de 2015). O Monte dei Pashi perde quase 9% na abertura de hoje da bolsa milanesa.

O problema da resolução do sector é, agora, considerado, por alguns analistas, o principal risco na zona euro, com Roma e Berlim em rota de colisão sobre as medidas a tomar. O gabinete do primeiro-ministro Matteo Renzi poderá inclusive agir unilateralmente numa situação de último recurso, disse uma fonte ao “Financial Times”. Uma resolução da situação que penalize os depositantes e os investidores na banca italiana, na sequência das novas regras da União Bancária, poderá agravar politicamente a situação, com o governo a enfrentar um referendo constitucional em outubro, que, se perder, ditará a queda de Renzi.

Entretanto, o Banco Central Europeu colocou mais pressão, exigindo que o Monte dei Paschi di Siena implemente um plano de ‘limpeza’ do crédito malparado na ordem de 40% nos próximos três anos, segundo a Reuters em despacho de hoje.