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Fórum para Competitividade alerta para diminuição da poupança

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Rui Ochôa

Fórum para a Competitividade diz que bons resultados nas contas públicas são “aparentes” e que as “famílias ainda não interiorizaram que o país está relativamente mais pobre”

O Fórum para a Competitividade mostrou-se esta terça-feira preocupado com a diminuição da poupança das famílias para manterem o nível de consumo, os atrasos nos reembolsos do IRS e um segundo semestre mais difícil.

"Os aparentes bons resultados nas contas públicas escondem o atraso nos reembolsos do IRS e o adiamento nos pagamentos a fornecedores", refere numa nota de conjuntura para o segundo semestre deste ano.
"Tudo indica que as famílias ainda não interiorizaram que o país está relativamente mais pobre e têm diminuído a poupança para tentarem manter o nível de consumo", acrescenta.

Segundo os dados do Fórum, no período de 1995-2001, a taxa média de poupança das famílias era de 10%, tendo vindo a reduzir progressivamente até atingir um novo mínimo de 3,5% no primeiro trimestre de 2016 (4,3% no quarto trimestre de 2015).

Em relação às contas do Estado, afirma, no segundo semestre "tudo será mais difícil, com descida do IVA na restauração, reposição de remunerações na função pública e a semana das 35 horas".

Aliás, considera, o Governo "deveria suster algumas destas medidas, para garantir que Portugal não corre o risco de sofrer sanções".

De acordo com o Fórum para a Competitividade, os indicadores do segundo trimestre reforçam a tendência de deterioração da atividade do trimestre precedente.

"É provável que o PIB [Produto Interno Bruto] cresça apenas entre 0,5% e 1% em 2016, mesmo abaixo das últimas previsões internacionais (entre 1,0% e 1,2%)", estima.

A nível internacional, a incerteza em torno das consequências da saída do Reino Unido da União Europeia ('Brexit') deverá acentuar o abrandamento em curso.

"Em relação a Portugal, o 'Brexit' deverá afetar as nossas exportações e importações de bens, por via do efeito cambial, faltando esclarecer onde a este estabilizará", sinaliza o Fórum para a Competitividade.

Em relação ao turismo, "os receios poderão ser mitigados, porque a muito elevada taxa de ocupação indicia alguma facilidade em substituir os clientes britânicos", acrescenta.