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“Muitos turistas não iriam a Lisboa sem a Airbnb”

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NOVO TURISMO. Os visitantes que vieram a Lisboa com reservas na Airbnb duplicaram no ano passado para 450 mil

GONÇALO ROSA DA SILVA

A maior plataforma de reservas do mundo afirma ter gerado em Lisboa um negócio de €268 milhões e que está a “ajudar as famílias portuguesas a pagarem as suas contas”

As reservas para Lisboa continuam a subir em flecha na Airbnb, para quem a capital portuguesa já é uma estrela. No ano passado 450 mil pessoas ficaram na cidade usando esta plataforma de reservas - a maior do mundo para alojamento em casas particulares - o que mais que duplicou as 213 mil do ano anterior. “Lisboa é cada vez mais importante para a Airbnb, já está no nosso 'top 10' e no último trimestre subiu para 8º lugar como destino urbano mais procurado na Airbnb”, frisa Àngel Mesado, diretor (public policy manager) da Airbnb em Portugal e Espanha.

Segundo um estudo de impacto económico em Lisboa realizado pela Airbnb, o negócio gerado na cidade pelos visitantes que usaram esta plataforma ascendeu no ano passado a €268 milhões, dos quais €42,8 milhões foram para os donos das casas onde ficaram os turistas, e a 'fatia-de-leão', de €228 milhões, se devem a gastos dos hóspedes no comércio local, em particular nos bairros onde ficaram alojados, como restaurantes, mercearias ou lojas.

NO TOP DA AIRBNB. Àngel Mesado, diretor da Airbnb em Portugal e Espanha, frisa que Lisboa subiu para 8º destino urbano mais procurado

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TIAGO MIRANDA

Cerca de 4500 donos de casas em Lisboa receberam hóspedes via Airbnb em 2015 (disponibilizando quartos ou toda a habitação), numa média de 76 noites por ano, o que lhes deu permitiu um rendimento extra de €530 por mês, o equivalente a €6100 anuais. Segundo o estudo da Airbnb, “o anfitrião médio em Lisboa tem 39 anos e mais de 40% têm um rendimento familiar igual ou inferior à média em Portugal, e quase 43% afirmam que usam estes rendimentos extra para ajudar a equilibrar o seu orçamento”.

Àngel Mesado frisa que em Lisboa a Airbnb está a trazer dinheiro à comunidade “e aos negócios locais, que tradicionalmente não beneficiavam do turismo”, além de estar a ajudar “as pessoas da cidade com um dinheiro extra para pagar as suas contas. No fundo, estamos a dar poder às famílias locais e aos habitantes de Lisboa para participar neste processo de desenvolvimento do turismo, onde não costumavam ter um papel”.

RENDA EXTRA Os lisboetas que colocaram a casa no Airbnb ganharam em média €530 por mês

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GONÇALO ROSA DA SILVA

O responsável da Airbnb realça ainda outra conclusão do estudo: cerca de 30% dos hóspedes que usaram a plataforma para vir a Lisboa afirma que, de outra forma, não visitaria a cidade ou não teria ficado por tanto tempo. “Significa que muitos turistas não viriam a Lisboa sem a Airbnb”, conclui Àngel Mesado.

Em média, os utilizadores da plataforma ficam na cidade 4,1 noites, quando nos hotéis este valor se cifra em 2,6 noites. “Os nossos hóspedes ficam o dobro do tempo, e também gastam duas vezes mais que o viajante que usa alojamento tradicional em Lisboa”, salienta Àngel Mesado.

AI MOURARIA. Os bairros históricos de Lisboa são os mais procurados em reservas na Airbnb

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gonçalo rosa da silva

O sucesso da Airbnb em Lisboa no disparar das reservas tem um reverso igualmente positivo: a forma calorosa como os donos das casas atendem os turistas. “O que os lisboetas dão aos hóspedes é extraordinário e temos histórias muito boas. Há pessoas que oferecem aos hóspedes cabazes com vinhos e queijo, vão com eles visitar os melhores pontos da cidade, fazem uma série de coisas fantásticas e próprias de quem quer realmente proporcionar uma boa experiência aos seus hóspedes”, adianta Ricardo Macieira, diretor (country lead) da Airbnb em Portugal.

Numa escala até 5, a avaliação dos hóspedes que ficam em Lisboa é de 4.7, o que prova, segundo Ricardo Macieira, “que os 'anfitriões' lisboetas estão de facto a dar experiências muito positivas aos visitantes” - e que é um ativo de peso para a Airbnb. “Os nossos utilizadores querem estar perto da comunidade, conviver com os locais e ter uma experiência genuína na cidade”.

VIDA DE BAIRRO. Os turistas cada vez mais querem experiências genuínas e conviver com os locais, segundo a Airbnb

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GONÇALO ROSA DA SILVA

As zonas mais procuradas em Lisboa nas reservas da Airbnb são os bairros históricos, como Alfama, Chiado ou Mouraria, “mas também estamos a espalhar o rasto do turismo por toda a cidade e a bairros que antigamente não tinham turistas, como Beato ou Alvalade”, faz notar o diretor da Airbnb em Lisboa, lembrando que, segundo o estudo, cerca de 70% dos hóspedes em 2015 ficaram alojados em locais fora dos bairros tradicionalmente mais turísticos.

“A partilha de casas é um movimento global, faz parte de uma mudança de paradigma na forma de viajar, em que os visitantes querem ficar onde as pessoas vivem”, salienta o Àngel Mesado. “E Portugal está no caminho certo, o país está a liderar nesta economia de partilha que está a acontecer no mundo e a contribuir para que isso aconteça”.