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Leya vende negócio no Brasil

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Grupo editorial alienou segmento da educação às Edições Escala Educacional. Mas venda de outras divisões também “está em cima da mesa”

A venda do segmento das edições escolares da editora LeYa no Brasil, às Edições Escala Educacional, que decorreu no final desta semana, faz parte de um plano maior. Em declarações ao Expresso, Miguel Pais do Amaral, dono do grupo editorial, avança que “a venda de uma ou várias divisões no Brasil está em cima da mesa” e que “existem contactos” e “conversações avançadas com diversas entidades”. O grupo já vendeu uma unidade de negócio, mas está a tentar alienar todas.

O investidor especifica que a Leya tem três operações no mercado brasileiro. Em São Paulo, atua no sector das edições gerais (através das marcas LeYa, Lua de Papel, Casa das Palavras e Alumnus), sendo “o quarto operador do mercado”, e da educação (negócio agora vendido), como “sexto operador”. Em Brasília, tem ainda uma operação de e-learning e formação, a UnYLeYa (ensino universitário a distância).

“São operações independentes”, adianta Miguel Pais do Amaral, pelo que podem “ser vendidas em separado”. A primeira, a operação das edições escolares, foi vendida à Edições Escala Educacional, que faz “parte do grupo Escala, antigo sócio brasileiro da Hachette, e com 24 anos de tradição no mercado brasileiro, atuando na edição de revistas, serviços gráficos e livros”, lê-se num comunicado da LeYa enviado à agência Lusa.

O Expresso contactou a administração do grupo para apurar mais pormenores sobre os negócios em discussão e as diferentes propostas já recebidas, mas não obteve resposta.

O plano de venda dos negócios da editora no Brasil, segundo Miguel Pais do Amaral, decorre “em função da depressão em que entrou a economia brasileira”, o que tem tido “um impacto forte” no negócio da Leya naquele mercado. Por um lado, explica o empresário, a Leya tem sofrido com o “baixo consumo” que o Brasil regista. Por outro lado, também o facto de o Governo brasileiro se encontrar “sem recursos financeiros, pagando atrasado ou não pagando”, tem dificultado a vida das editoras que estão no mercado.

A LeYa no Brasil entrou no mercado dos livros escolares em 2010, onde atuava ao nível da educação básica e de ensino médio, com obras didáticas, plataformas digitais de ensino e sistema de ensino.

Há três anos, ainda antes da crise económica brasileira, Miguel Pais do Amaral dizia esperar que o negócio da LeYa no Brasil ultrapassasse o de Portugal em vendas. Na altura, o investidor afirmava que a empresa já era rentável nas áreas das edições gerais e de e-learning, mas que ainda estava numa fase de investimento na área educacional e que, por isso, esperava algumas perdas naquele segmento de negócio, apesar das vendas em alta. As expectativas em relação ao mercado brasileiro eram grandes: Tinha “a demografia certa, ao contrário de Portugal” e era um mercado onde a classe média estava a crescer, onde as pessoas estavam a ler mais e onde o ensino era “uma prioridade do Governo”, segundo o investidor. Tudo “novas oportunidades que se abrem aos operadores na área”, sublinhou Pais do Amaral em 2013. Mas o mercado mudou e as expectativas refrearam. A expectativa agora é a de vender tudo e sair do Brasil.

Por cá, o grupo Leya foi criado em 2008, aglomerando várias editoras, entre elas, a Texto, Editorial Caminho, Edições Asa e Publicações D. Quixote. Está também presente nos mercados angolano e moçambicano.