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Bolsas após o Brexit. Londres já ganhou 3%, Lisboa ainda perde 4%

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As bolsas mundiais fecharam no primeiro dia de julho no verde pela quarta sessão consecutiva, mas a recuperação, a partir de 28 de junho, ainda não ‘limpou’ a quebra de 7% nas duas sessões de impacto do Brexit. Recuperação enfraqueceu a 30 de junho e 1 de julho

Jorge Nascimento Rodrigues

O mercado bolsista mundial registou ganhos de 0,45% a 1 de julho, pela quarta sessão consecutiva desde a derrocada financeira sofrida a 24 e 27 de junho provocada pelo Brexit. Os analistas falam de uma “recuperação pós-Brexit”.

No entanto, a recuperação bolsista da ‘sexta-feira negra’ e da ‘segunda-feira negra’ de junho enfraqueceu na última sessão de junho e na primeira de junho. O índice mundial MSCI ainda está 1,4% abaixo do nível de 23 de junho, antes da derrocada.

Por mais paradoxal que pareça, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres já regista um ganho de 2,92% em relação ao nível do dia anterior ao Brexit. Em contraste, o índice PSI 20, da bolsa de Lisboa, ainda está 4% abaixo.

Na primeira sessão de julho, a Europa levou a dianteira nos ganhos. O índice MSCI respetivo avançou 0,9%, enquanto o das economias emergentes subiu 0,62% e o da Ásia Pacífico melhorou 0,57%. O índice MSCI para os Estados Unidos registou a subida mais magra, apenas de 0,21%.

As bolsas de Buenos Aires e de Helsínquia lideraram internacionalmente as subidas a 1 de julho, com ganhos acima de 2%. Na Europa, o “clube” das subidas acima de 1,2% engloba as quatro bolsas nórdicas (Helsínquia, que subiu 2,01%, Oslo, Copenhaga e Estocolmo), Dublin (com o índice ISEQ a ganhar 1,9%), Istambul, e Madrid (Ibex 35 avançou 1,3%). O índice PSI 20, de Lisboa, registou um ganho de 0,83%. Este índice perdeu 9,3% nas duas sessões ‘negras’ do impacto do Brexit e avançou 5,32% nas quatro sessões de recuperação.

O preço do barril de petróleo de Brent fechou na sexta-feira em 50,65 dólares, uma subida de quase 2% em relação ao dia anterior. Desde 23 de junho, antes do Brexit, o preço do Brent desceu 0,5%. O ouro, um dos valores refúgio em períodos de pânico financeiro, valorizou-se 6% desde 23 de junho; fechou a semana em 1336,7 dólares. A libra esterlina, que esteve em foco na ‘sexta-feira negra’ pela queda a pique, caiu 11% desde 23 de junho; encerrou a semana a valer 1,3266 dólares, quando no dia anterior ao Brexit se trocava por 1,4879 dólares.

Lehman ou não Lehman, eis a questão

Apesar da derrocada de 4,76% nas bolsas mundiais a 24 de junho, muitos analistas afastam, agora, o risco de um ‘momento Lehman’ empurrando a economia mundial para uma nova crise financeira global, à semelhança do que a falência do banco norte-americano Lehman Brothers a 15 de setembro de 2008 viria a gerar nas bolsas de Nova Iorque e à escala mundial no último quadrimestre daquele ano.

A falência do Lehman provocou uma queda de 3,5% do índice global MSCI no próprio dia e de 1% no dia seguinte. Os maiores abalos em 2008 viriam mais tarde. Uma quebra de 6,8% na ‘segunda-feira negra’ de 29 de setembro, de 4,9% na ‘sexta-feira negra’ de 10 de outubro, depois a mais forte de todas, de 8,7%, na ‘segunda feira negra’ de 27 de outubro, e de 6% na ‘quinta-feira negra’ de 20 de novembro. A trajetória descendente daquele índice só pararia a 9 de março do ano seguinte.

A 11 de outubro de 2008, o então diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, avisou que “estávamos à beira de uma derrocada sistémica”. No atual pós-Brexit a palavra de ordem dos responsáveis das grandes instituições financeiras é desdramatizar, apesar do Bank of America recordar esta semana a todos que “o Brexit aconteceu mesmo”. O Nobel Paul Krugman, na sua coluna no “The New York Times”, escreveu, na manhã seguinte, “ainda não estou a ver” a concretizar-se “toda essa conversa sobre as repercussões financeiras – mercados a mergulhar, recessão na Grã-Bretanha e talvez ao redor do mundo, e por aí adiante”.