Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

PS culpa anterior Governo pela situação da banca

  • 333

“O problema do sector financeiro nunca foi assumido na sua verdadeira dimensão. Agora, PSD e CDS-PP atacam quem pretende resolver o problema”

O PS acusou esta sexta-feira o anterior Governo de ter escondido a real dimensão dos problemas no sector financeiro, enquanto PSD e CDS-PP exigiram conhecer a dimensão das necessidades de capital da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Num debate marcado pelo PS sobre a situação do sector financeiro em Portugal, também a dirigente do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua exigiu esclarecimentos ao Governo socialista sobre as soluções em preparação para o sector da banca, avisando que não aceitará novas penalizações dos contribuintes, tal como aconteceu com o caso Banif.

O porta-voz dos socialistas, João Galamba, abriu o debate com críticas ao anterior executivo, liderado por Pedro Passos Coelho, dizendo que, no plano internacional, apresentou o problema do país como sendo essencialmente de finanças públicas, escondendo então a crise do sector bancário.

João Galamba disse que, até à saída de Portugal do resgate financeiro, foram escondidos os problemas no Banco Espírito Santos (BES) e no Banif, que depois tiveram pesados custos para os contribuintes.

"O problema do sector financeiro nunca foi assumido na sua verdadeira dimensão. Agora, PSD e CDS-PP atacam quem pretende resolver o problema", disse, numa intervenção em que também acusou o presidente social-democrata, Pedro Passos Coelho, de ter um discurso contraditório sobre a CGD.

"Diz [Pedro Passos Coelho] que a sua preocupação se relacionou com a incapacidade da CGD devolver ao Estado os 900 milhões de euros" do processo de recapitalização de 2012, "mas, depois, diz que o banco público precisa de cerca de 2,5 mil milhões de euros", apontou o membro do Secretariado Nacional do PS.

Na resposta, o dirigente da bancada social-democrata Miguel Morgado contestou a intervenção de João Galamba e falou "num trauma dos socialistas em reconhecerem qual a origem dos problemas no sector financeiro: A bancarrota de 2011".

Miguel Morgado afirmou então que, em 2011, a média de rácios de capital nas instituições financeiras nacionais rondava os sete por cento, tendo aumentado em cerca de 60 por cento até 2015.

A seguir, o dirigente da bancada social-democrata, tal como depois faria a deputada do CDS-PP Cecília Meireles, questionou qual o montante de recapitalização que o Governo entende ser necessário para a CGD.

"Se diz que quatro mil milhões de euros estão acima das necessidades de capital, então qual a razão para pedir esse montante?", perguntou.

Mariana Mortágua começou por atacar o PSD e o CDS-PP, acusando estes partidos de estarem em negação sobre a situação do Novo Banco, que ainda não foi vendido, ou sobre o que aconteceu com o Banif.

"O BCP continua longe de estar capitalizado, o Montepio Geral conheceu um 'downgrade de rating' e a CGD precisa de capital. PSD e CDS não quiseram assumir os problemas no sector financeiro porque isso tinha custos políticos", sustentou.

No entanto, logo a seguir, Mariana Mortágua considerou essencial "conhecer o que o PS fará de diferente" face ao anterior Governo.

A par de explicações sobre as contas e o processo de recapitalização da CGD, Mariana Mortágua exigiu ao Governo socialista a garantia de que os contribuintes não vão pagar mais as imparidades geradas pela banca privada e, ainda, "o fim de vendas ao desbarato", em que o comprador privado fica com a fatia boa e deixa para o contribuinte os passivos.