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Mobiliário. Saldo da balança comercial de 1000 milhões em 2016

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A indústria do mobiliário e colchoaria conta exportar este ano 1,6 mil milhões de euros, registando um crescimento de 15%

A indústria do mobiliário e colchoaria conta exportar 1,6 mil milhões de euros em 2016 e apresentar uma balança comercial com saldo favorável de mil milhões.

Até ao fim de abril, as exportações registaram um crescimento de 15% (582 milhões de euros), impulsionando pelos desempenhos do mercado francês, britânico e Estados Unidos.

Como se explica a subida das exportações? Pelo “reconhecimento internacional da qualidade do mobiliário português, pelo maior número de empresas a operar no exterior e à promoção em certames internacionais”, responde ao Expresso Gualter Morgado, diretor executivo da APIMA - Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins.

O efeito China

O mobiliário de luxo e segmentos de nicho “têm crescido exponencialmente pela capacidade de personalização das peças que aliada à inovação nos processos permite à indústria portuguesa revelar-se competitiva face a operadores de grande escala”, acrescenta Gualter Morgado.

O gestor da APIMA refere ainda o duplo efeito virtuoso do aumento de consumo interno em países do Oriente, como a China. Por um lado, forçaram os operadores locais a reduziram as vendas no exterior e, por outro, tornaram-se clientes do mobiliário de luxo fabricado no Ocidente.

Angola e Reino Unido

Se o mercado angolano perdeu quota e relevo (-36%), deixando de figurar entre os principais destinos, a preocupação da APIMA centra-se agora nos efeitos do Brexit num mercado que se revela pujante, duplicando em poucos anos as compras de moboliário a Portugal.

Se a desvalorização da libra se mantiver "as exportações sofrerão um rude golpe", regista a APIMA. No caso do mobiliário, Londres funciona como uma plataforma de abastecimento de outros mercados por aí estarem instalados os centros de decisão de multinacionais com operações globais.

O mercado francês (182 milhões de euros até ao fim de abril) é o principal destino das exportações, seguido de Espanha e Alemanha. O mercado alemão é o único na Europa que regista uma queda em 2016 (-19%).

No âmbito da programa de promoção do mobiliário Made by Portugal e do lançamento da marca APIMA – Interfurniture, a associação aplicou, no biénio 2015/16, oito milhões de euros do Compete no financiamento de 26 ações promocionais que envolveram 105 empresas, em oito mercados estratégicos – Espanha, Singapura, Itália, França, Estados Unidos, Reino Unido, Rússia e Alemanha. A APIMA tem já em marcha uma segunda edição deste programa promocional que acolherá mais 34 iniciativas no exterior, a partir de setembro.

Diversificação e concorrência desleal

A excessiva concentração das exportações num número reduzido de mercados europeus (França Espanha e Alemanha representam 60%) é um fator que gera desconforto entre os industriais que gostariam de ter uma base externa mais alargada.

O "desígnio da diversificação" é um eixo fundamental na lógica promocional. A APIMA verifica, todavia, margem de progressão em mercados atuais, citando Estados Unidos e Canadá como os que se revelam mais atrativos.

No Mercosul, as “taxas protecionistas que podem chegar aos 90% do custo” torna missão exportadora impossível. Mas, a associação aponta como primeira preocupação a “concorrência desleal” decorrente da “falta de controlo de matérias-primas e componentes proibidos” importados por países europeus concorrentes.