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Mercados. Periféricos do euro perderam nas bolsas e ganharam nos juros em junho

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Susana Vera / Reuters

As bolsas dos cinco periféricos da zona euro perderam em média 12% no mês que findou. Mas, no mercado da dívida, Espanha e Irlanda fixaram novos mínimos históricos. Juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos fecham abaixo de 3%. PSI 20 da Bolsa de Lisboa perde quase 16% no semestre

Jorge Nascimento Rodrigues

O mês de junho foi paradoxal para os cinco periféricos da zona euro. Ganharam no mercado da dívida soberana, com uma queda dos juros das obrigações, mas levaram um rombo nas bolsas.

As yields das Obrigações do Tesouro português a 10 anos fecharam o mês abaixo de 3% e Espanha e Irlanda fixaram novos mínimos históricos, o que será abordado noutro artigo.

As bolsas dos cinco periféricos da zona euro estiveram na primeira linha de embate do Brexit.

O ‘cisne negro’ do Brexit abalou principalmente, à escala mundial, as bolsas de Atenas, Dublin, Lisboa, Madrid e Milão. Os cinco periféricos da zona euro são, de novo, os países mais vulneráveis em termos de choques sobre os mercados de ações. Em média, os principais índices destas cinco praças europeias perderam 12% em junho, com um pico de derrocadas na ‘sexta-feira negra’ do dia 24, depois do anúncio, na madrugada, de que o voto pela saída do Reino Unido da União Europeia havia ganho. Um ‘evento de risco’, na linguagem técnica dos analistas, que se consumou para surpresa de analistas, sondagens, casas de apostas, investidores em bolsa e políticos.

Nas principais derrocadas de junho, com perdas acima de 6%, incluem-se as praças dos cinco periféricos do euro, a bolsa de Tóquio (com o Nikkei 225 a perder 8,7% e o TOPIX a cair 8,8%) e as bolsas de Praga, Viena, Paris e Frankfurt, por ordem decrescente. O índice ASE de Atenas liderou as quedas à escala mundial, com um recuo mensal de 16,3%, se excetuarmos o índice da bolsa de Caracas, que quebrou 17%, por razões ligadas ao risco iminente de bancarrota da Venezuela. O índice ISEQ de Dublin caiu 13%, o PSI 20 de Lisboa perdeu 10,2% e o MIB de Milão recuou 10,1%. Próxima dos 10% ficou a queda do Ibex 35 em Madrid.

Ironia do mês: bolsa de Londres ganha 4%

Ironicamente, a bolsa da City londrina, que negociou no epicentro do terramoto político provocado pelo Brexit, acabou com ganhos mensais de 4,4%. Nos desenvolvidos e emergentes da Europa foi o único que, em junho, ficou num ‘clube’ com ganhos mensais acima de 3,5%, povoado por bolsas da América Latina (o índice Merval de Buenos Aires subiu 15% e o iBovespa de São Paulo ganhou 3,98%), mercados de fronteira asiáticos (Indonésia, Filipinas e Paquistão) e da europa (Ucrânia) e o Abu Dhabi.

Junho foi um mês vermelho. As bolsas mundiais continuaram a cair. O índice MSCI global, abrangendo 46 mercados desenvolvidos e emergentes, perdeu 0,82% em junho, depois de ter caído 0,19% em maio. Desde o início do ano está ligeiramente abaixo da linha de água, com um recuo de 0,02%.

A “região” mais afetada em junho pelas quedas foi a Europa, cujo índice MSCI respetivo desceu 4,68%, mais do que as perdas nos mercados de fronteira (cujo índice recuou 3,71%) e incomparavelmente mais do que a quebra ligeira de 0,2% do índice MSCI para a Ásia Pacífico. Os Estados Unidos e os mercados emergentes registaram ganhos em junho de 0,09% e 3,3% respetivamente.

Em termos semestrais, as bolsas mundiais continuam ainda no vermelho, ainda que registando uma queda ligeira de -0,02%. As maiores quedas semestrais verificam-se para as bolsas europeias (o índice MSCI recuou 7,3% desde início do ano) e para os mercados fronteira (o índice MSCI perdeu 3,3% nestes seis meses). A Ásia Pacífico ainda perde 2,32%, mas os Estados já ganham 2,4% e os mercados emergentes registam uma subida de mais de 5%. O PSI 20 de Lisboa caiu 15,8% no semestre.

Na bolsa de Lisboa, cinco títulos perderam mais de 13% em junho, com o BCP a liderar as quedas, registando uma descida de quase 32%. Os restantes quatro do topo das quedas foram a Sonae, NOS, Pharol e Mota Engil. O único título dos 18 do PSI 20 que registou ganhos mensais foi a Galp, com uma subida de 7,3%.

No primeiro semestre, cinco títulos perderam mais de 30%, e outros cinco são os únicos com ganhos nos 18 do PSI 20. O BCP e a Pharol lideraram as perdas com quebras semestrais de mais de 60%; no patamar dos 30-39% de descidas registam-se a Altri, Sonae e The Navigator Co (grupo Soporcel Portucel). Os cinco títulos com ganhos no semestre são a Corticeira Amorim, Jerónimo Martins, Galp Energia, Sonae Capital e BPI.