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IGCP “compra” tempo na dívida. Trocou mais de €1000 milhões

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Marcos Borga

A agência do Tesouro comprou esta sexta-feira dívida pública que vencia nos próximos três anos e vendeu obrigações com vencimento daqui a 9 e 21 anos. IGCP quer colocar 1000 a 1250 milhões de euros no terceiro trimestre

Jorge Nascimento Rodrigues

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) realizou esta sexta-feira uma operação de troca de dívida em que comprou cerca de 1012 milhões de euros em obrigações com maturidades em 2017, 2018 e 2019 e vendeu o mesmo montante em dívida a mais longo prazo, a vencer em 2025 e 2037.

O IGCP procedeu a uma oferta de troca de dívida que vencia entre 12 meses a 3 anos e que estava na mão dos credores por dívida de longo prazo, alongando, por 9 e 21 anos, os prazos de vencimento daquele montante de 1012 milhões de euros. Nas operações de troca, os títulos adquiridos pelo IGCP são "pagos" com a entrega de outras obrigações.

Este ano, o IGCP procedeu, em 25 de fevereiro, a um leilão de recompra de dívida que vencia de 2016 a 2019 envolvendo 1075 milhões de euros. Nas recompras, a agência amortiza antecipadamente dívida. Já procedeu, também este ano, a um pagamento antecipado ao Fundo Monetário Internacional de 1,97 mil milhões de euros do empréstimo contraído no âmbito do resgate.

Entretanto, o IGCP anunciou as suas linhas de atuação para o terceiro trimestre, prevendo novas emissões de dívida obrigacionista através de operações sindicadas ou de leilões, com o objetivo de colocar 1000 a 1250 milhões de euros.

No detalhe, na operação desta sexta-feira, comprou 547, 3 milhões de euros da linha de obrigações do Tesouro (OT) que vencia a 16 de outubro de 2017; 314,5 milhões de euros da OT de 15 de Junho de 2018; e 150 milhões de euros da OT que vencia a 14 de junho de 2019. E vendeu 732,8 milhões de euros da OT que vence a 15 de outubro de 2025; e 279 milhões de euros da OT de 15 de abril de 2037.

Os preços foram os seguintes para as compras: 105,14% para a linha de 2017; 107,38% para a de 2018; e 110,21% para a de 2019. No caso das vendas de dívida, os preços foram os seguintes: 100,03% para a linha de 2025; e 103,81% para a de 2037.

“Neste tipo de operações não podemos olhar para o juro, para o cupão, ou para a yield dos títulos. O mais relevante – e o que interessa ao Estado português – foi conseguir fazer o chamado roollover da dívida, isto é, trocar dívida que teria que ser paga em breve, por dívida que só terá que ser paga muito mais tarde. Ou seja, o Estado comprou tempo. Já não terá que amortizar em 2017, 2018 e 2019, passando dois terços dessa dívida para 2025 e um terço para 2037. Mantém-se a dívida, mas estende-se o prazo. Do ponto de vista do interesse do país, foi uma operação positiva”, diz Filipe Silva, diretor da Gestão de Ativos do Banco Carregosa.