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Juros da dívida resistem às declarações de Schäuble

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Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos, o prazo de referência, fecharam na quarta-feira em 3,09%, seis pontos base abaixo do encerramento no dia anterior

A polémica em torno de declarações do ministro das Finanças alemão proferidas na tarde desta quarta-feira não produziu impacto no comportamento dos juros da dívida portuguesa, que prosseguiram a sua trajetória de descida em relação a um pico pontual na abertura da ‘sexta-feira negra’ nos mercados financeiros logo após ao impacto do ‘cisne negro’ do Brexit.

Os juros das Obrigações do Tesouro (OT) a 10 anos, o prazo de referência, fecharam na quarta-feira em 3,09%, seis pontos base abaixo do encerramento no dia anterior. Os juros das OT têm estado em trajetória descendente desde um pico pontual em 3,53% pelas sete horas de dia 24 de junho, no auge do impacto do anúncio da vitória da opção de saída do Reino Unido da União Europeia naquela madrugada.

O comportamento dos juros das OT está em linha com a evolução em queda dos juros na divida dos restantes periféricos do euro, onde a descida mais significativa é a dos juros das obrigações irlandesas a 19 anos para o patamar dos 0,5%. Os juros das OT a 10 anos já desceram esta quinta-feira para 3,04%.

Recorde-se que na quarta-feira à tarde, a agência Reuters divulgou uma primeira notícia a referir que o Wolfgang Schäuble anunciara que Portugal ia pedir um novo resgate. Minutos depois, um novo artigo da agência retificava o anterior. Na versão corrigida, o ministro alemão referira num evento público que Portugal precisaria de um novo resgate – um segundo - se não cumprisse as regras.

Em declarações ao Expresso e à SIC, Frank Paul Weber, porta-voz do ministro das Finanças alemão, disse que Schäuble afirmou que "Portugal cometeria um grave erro se não cumprisse os seus compromissos (anteriores)", acrescentando que "Portugal precisaria então de pedir um novo resgate. Os portugueses não querem um novo programa de ajuda nem precisam dele se cumprirem as regras europeias".

Menos repercussão obteve a divulgação, nessa manhã, pelo jornal alemão “Handelsblatt” de um plano pós-Brexit do gabinete de Schäuble, em que se aponta para regras ainda mais duras no plano orçamental a impor aos membros do euro e a ideia de criação de um corpo independente de peritos para acompanhar a implementação das regras orçamentais. O plano prevê, ainda, o emagrecimento da Comissão Europeia.