Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

FMI revê em baixa projeção de crescimento do PIB e aposta em 1%

  • 333

FRANCISCO LEONG / AFP / Getty Images

Na quarta avaliação após a conclusão do programa de ajustamento, o FMI concluiu que só com medidas adicionais será possível cumprir a meta do défice (2,2%)

A equipa do Fundo Monetário Internacional que esteve em Lisboa entre 15 e 29 de junho, na quarta-missão pós-troika, reviu em baixa a estimativa do crescimento do PIB este ano, para 1%, contra os 1,4% avançados no relatório anterior. Para 2017, a projeção também cai, de 1,3% para 1,1%.

No comunicado com as conclusões desta missão, o FMI sublinha que o ritmo da recuperação abrandou desde meados do ano passado, com o consumo privado a crescer " de forma robusta" , mas o investimento e as exportações "enfraquecidos", refletindo o aumento da incerteza e uma "quebra acentuada" de alguns mercados para os produtos portugueses, o que levou já a uma quebra do crescimento do PIB para 0,9% no primeiro trimestre do ano.

A médio prazo, "a perspetiva é um pouco menos favorável" do que no final da terceira missão pós-troika, refere o comunicado emitido hoje.

Sobre o défice, a equipa técnica do FMI refere que sem o apoio de medidas adicionais, deverá aproximar-se dos 3%, mas dá nota positiva ao facto das autoridades terem reafirmado o seu compromisso com os objetivos fiscais definidos para 2016, atendendo ao risco de uma redução na cobrança de receitas devido ao "contexto de crescimento mais lento".

No ponto três, o comunicado reitera a necessidade do país seguir "um caminho credível de consolidação orçamental a médio prazo para colocar a dívida pública numa trajetória descendente", com "metas realistas".

Assim, na visão da equipa do FMI faz sentido um ajuste primário de 0,5% do PIB em 2017 e 2018, apoiado em medidas de "poupança permanentes", com foco na "racionalização dos salários da função pública e das pensões".

Sobre o sistema bancário português, o comunicado refere que continua a enfrentar desafios e fragilidades, com liquidez nos bancos, mas problemas de rentabilidade devido à qualidade dos ativos, margens pressionadas pelos juros baixos e o crescimento lento do crédito.

Apesar disso, os técnicos do FMI referem que Portugal entrou no seu quarto ano de recuperação económica e goza de acesso favorável aos mercados financeiros, tendo concluído com sucesso o programa de ajustamento. No entanto, o seu diagnóstico refere que o crescimento abrandou, a acompanhar a quebra nas exportações e no investimento. Este quadro, combinado com o aumento da incerteza no mercado externo, na sequência do Brexit, "reforça a importância de um quadro político credível" e de reformas para melhorar as perspetivas de crescimento a médio prazo, além de medidas adicionais para reforçar o balanço dos bancos, apoiadas na consolidação orçamental.