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Bolsas. Europa abre no verde pelo segundo dia consecutivo

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THOMAS SAMSON/GETTY

Depois de uma sessão com ganhos na Ásia, as bolsas europeias abriram esta quarta-feira a subir. O índice Eurostoxx 50 ganha 1,5%. Bolsa de Lisboa em linha com trajetória europeia. Efeitos negativos do Brexit fizeram uma pausa

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas europeias abriram pelo segundo dia consecutivo em terreno positivo, depois de terem perdido cerca de 11% nas duas sessões seguintes ao Brexit.

É a quarta sessão depois do 'choque' do anúncio da saída do Reino Unido da União Europeia e no segundo dia da cimeira dos membros do 'clube' europeu em Bruxelas, hoje num formato referido como informal, já sem a presença do primeiro-ministro britânico.

O primeiro-ministro britânico deixou ontem claro perante a cimeira europeia que não invocará o artigo 50 do Tratado de Lisboa para iniciar formalmente o processo de saída da União Europeia. Será o próximo chefe de governo que suceder em setembro a David Cameron que tomará essa decisão. O processo de ‘divórcio’ fica adiado para depois do verão, permitindo, segundo os analistas britânicos, uma pausa para os mercados financeiros se ajustarem à nova situação.

Os índices globais europeus Eurostoxx estão no verde. O Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas na zona euro) abriu a subir 1,5% e o Eurostoxx 600 (seiscentos títulos em 18 países europeus) avançou 2,6% nos primeiros minutos de negociação.

A liderarem as subidas esta quarta-feira estão os índices Ibex 35, de Madrid, Bel 20, de Bruxelas, e MIB, de Milão. A bolsa de Lisboa abre a seguir a trajetória europeia. O índice PSI 20 ganha 1,07% na abertura. Na City, o índice FTSE 100 sobe 1,4%.

Ontem, o índice MSCI para a Europa subiu 3,2%, o melhor desempenho à escala mundial, face ganhos de 1,79% para Nova Iorque e 1,34% para o conjunto dos mercados emergentes. A Ásia Pacífico registou uma quebra de 0,24%. O índice MSCI mundial subiu 1,7%.

Os futuros em Wall Street estão a negociar com um ganho de 0,3%, o que indicia uma abertura em alta quando Nova Iorque abrir às 14h30 (hora de Portugal).

Nos mercados de commodities, o preço da onça de ouro e do barril de petróleo de Brent estão a subir. No mercado cambial, a libra esterlina está a valorizar-se ligeiramente.

Ásia fecha com ganhos

Na Ásia Pacífico, as bolsas fecharam esta quarta-feira em terreno positivo, com o índice MSCI para a região a registar uma subida de 1,8%, depois de ter caído ligeiramente na terça-feira. A bolsa de Tóquio liderou as subidas na região, com o índice Nikkei 225 a registar ganhos de 1,6%.

No Japão, realizou-se hoje uma segunda reunião entre o governo de Shinzo Abe e o Banco do Japão. Com eleições para a Câmara Alta do Parlamento a 10 de junho, já se referiu que as autoridades nipónicas em coordenação com o banco central poderão lançar um pacote de estímulos equivalente a 88 mil milhões de euros.

Os mercados bolsistas à escala mundial parecem ter feito uma pausa após a derrocada de 7% que sofreram nas duas sessões seguintes ao Brexit, na ‘sexta-feira negra’ de 24 de junho e na ‘segunda-feira negra’ de 27 de junho.

Brexit provoca rombo maior do que crise chinesa do verão passado

A queda nas bolsas na sexta-feira, após o anúncio da vitória da saída do Reino Unido da União Europeia no referendo britânico de 23 de junho, foi superior à registada aquando da crise bolsista na China a 24 de agosto do ano passado e distanciou-se da verificada a 11 de fevereiro passado. Em fevereiro, recorde-se, o risco de Grexit atingiu um pico no quadro das negociações entre Atenas e os credores oficiais europeus no âmbito do primeiro 'exame' ao andamento do terceiro resgate grego.

O índice MSCI mundial caiu 3,8% a 24 de agosto de 2015; recuou 1,3% a 11 de fevereiro de 2016; e perdeu 4,8% a 24 de junho de 2016. A 27 de junho, segunda-feira desta semana, desceu 2,2%.

Os mercados financeiros já viveram este ano três 'eventos de risco', na acepção dos analistas, acontecimentos cuja conclusão é incerta. Em fevereiro, a crise do Grexit, com a incerteza se as negociações do primeiro 'exame' ao resgate iriam prosseguir ou entrar em ruptura irreversível. A 24 de junho, com o referendo britânico, que se saldou por um resultado inesperado, um verdadeiro 'cisne negro', com a vitória do Brexit. A 26 de junho, no domingo passado, nas eleições legislativas em Espanha esperava-se uma subida de votação da coligação Unidos Podemos que a catapultaria para a segunda posição em deputados no Congresso, o que não se verificou.