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Euronext empenhada em trabalhar com o governo na Unidade de Missão

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António Pedro Ferreira

Empenhada em dinamizar a Bolsa e em ter uma palavra a dizer no seio da Euronext, Maria João Carioca diz-se disponível para trabalhar com o governo na capitalização das empresas. O Brexit comporta uma “incerteza brutal” e tem obrigado a constantes conferências telefónicas

"Estamos atentos à Unidade Missão para a Capitalização das Empresas (um projeto criado pelo Governo). Estamos a trabalhar juntos. Não é uma tarefa para fazer sozinhos. Têm de ser envolvidas as associações empresariais. Não é uma coisa que irá acontecer se ficarmos sentados à espera" defendeu Maria João Carioca, a nova presidente da Euronext Lisboa, num encontro com os jornalistas para explicar a sua estratégia para a praça lisboeta. "Parte da nossa preocupação é sermos positivos. Temos noção que há muitas medidas ambiciosas e um longo caminho a percorrer", acrescentou.

Maria João Carioca admite que não há medidas milagrosas para tirar a bolsa de Lisboa dos níveis dos anos 90 onde mergulhou nos últimos tempos, mas defende que "há muitas medidas pequenas que se espera tenham consequências positivas. O contexto é o que é. A incerteza é brutal", afirma a presidente da Euronext Lisboa. E um dos factores extra de incerteza é a saída de Inglaterra da União Europeia, o chamado Brexit.

"Não posso dizer que conheço as medidas da Unidade de Missão a 100%. Algumas já tinham sido discutidas com o anterior governo, outras são novas", disse. E prosseguiu: "Algumas medidas não são de intervenção direta e essas são as que mais nos agradam, até porque temos consciência que têm consequências a mais longo prazo"

Há medidas na Unidade de Missão que poderão servir para atrair mais investidores ao mercado, admitiu a gestora, sem detalhar. E sublinhou que quer uma maior proximidade às pequenas e médias empresas (PME). "É um dos processos que precisa de ser trabalhado", considerou. "Mas não posso obrigar as empresas a vir para Bolsa", disse. A Bolsa está preparada para uma oferta pública inicial do Novo Banco, uma hipótese em cima da mesa. Porém sobre este assunto, Maria João Carioca não quis dizer mais nada.

"O meu objetivo não é volume, prefiro uma venda feita de forma consolidada", frisou. A presidente da Euronext Lisboa admite que o índice PSI20, hoje com apenas 18 empresas, terá de ser repensado, mas não será no curto prazo.

Brexit acelera incerteza

A nova presidente da Bolsa portuguesa confessou que os últimos dias foram de grande agitação na Euronext por causa do Brexit, com constantes conferências telefónicas para decidir o que fazer a cada momento e tranquilizar os trabalhadores da Euronext que estão em Londres. O Brexit foi um choque. A Euronext trabalhava há algum tempo nos dois cenários, o de permanência e o de saída. A Euronext é plataforma bolsista pan-europeia que reúne as bolsas de Lisboa, Paris, Amesterdão e Bruxelas. A praça portuguesa é a mais pequena das quatro.

"O papel da City vai ser repensado e questionado nos próximos tempos. O Brexit comporta complexidades adicionais, nomeadamente a título regulatório", esclareceu. Antes Maria João Carioca tinha dito que a fusão entre a London Stock Exchange e a Deutsche Borse, um enorme desafio para a Euronext, poderá enfrentar agora algumas adversidades. A gestora, quadro do Banco de Portugal e ex-administradora da Caixa, adiantou que a Euronext está atenta ao processo de consolidação e permanentemente em conversas para eventuais parcerias com as suas congéneres.