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Draghi em Sintra. Políticas monetárias têm de estar alinhadas

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Uma coordenação formal entre bancos centrais é "complexa". Por isso, o presidente do BCE propõe um mínimo: a "partilha" no diagnóstico das causas dos atuais problemas e das medidas que se exigem. Num mundo globalizado, "é essa a realidade", disse Draghi na abertura do Fórum sobre Bancos Centrais que termina amanhã em Sintra

Jorge Nascimento Rodrigues

A política monetária tem cada vez mais uma dimensão internacional, pois multiplicam-se os fatores cíclicos e estruturais que são comuns aos diversos países em que atuam os bancos centrais e as decisões que um dado banco central toma têm impactos globais, afetam todos, em virtude da globalização. E, a par dos efeitos positivos das decisões, há também impactos desestabilizadores.

Face a esta realidade descrita por Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), as políticas monetárias têm de estar “alinhadas”, já que “a coordenação formal é complexa”. Este foi o 'recado' do italiano aos seus pares na sua intervenção de abertura da primeira sessão do Fórum sobre Bancos Centrais que anualmente se realiza em Sintra. A sessão desta terça-feira tem por tópico os desafios monetários e macroeconómicos.

“Podemos não necessitar de coordenação formal de políticas [monetárias], mas podemos beneficiar do alinhamento delas”, referiu Draghi, que explicou, de seguida, o que entendia por “alinhamento”: a partilha do diagnóstico das raízes dos desafios atuais e o empenhamento global em assentar a política monetária nesse diagnóstico partilhado.

“Num mundo globalizado, uma combinação de políticas globais conta e tanto mais quanto as economias se tornem mais integradas”, apontou Draghi, que concluiu: “Não se trata de uma preferência, ou de uma escolha. É, simplesmente, a realidade que temos pela frente”.

O presidente do BCE não referiu o problema do Brexit nesta sua intervenção de hoje, mas referiu ontem a sua “tristeza” pelo resultado do referendo britânico nas boas vindas de abertura deste Fórum que termina amanhã. Mas este apelo a um “alinhamento” ganha força face ao contexto atual saído do Brexit com duas sessões seguidas de pânico financeiro.

Apelos para um alinhamento e autocontrolo das medidas de política monetária surgiram em março pela voz de Raghuram Rajan, o académico que é governador do Banco da Reserva da Índia (BRI), o banco central do país. Rajan – que está de saída do BRI a 4 de setembro, recusando um segundo mandato – propôs como disciplina interna um “sistema de semáforos”, em que o vermelho deveria apontar para medidas a ser evitadas pelo efeito em terceiros. Na mesma linha, em maio, Claudio Borio, economista-chefe do Banco de Pagamentos Internacionais pronunciou-se contra “mais pluralismo” na arena monetária internacional e defendeu uma coordenação explícita dos bancos centrais, admitindo “decisões conjuntas ocasionais” na área das taxas de juro e das intervenções cambiais.

Amanhã a presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed) deveria participar num painel com Draghi, mas a sua presença foi cancelada sem explicação. Janet Yellen participou no fim de semana na reunião anual em Basileia do Banco de Pagamentos Internacionais e deveria deslocar-se da Suíça para Portugal. Outra presença, inicialmente agendada, no referido painel de quarta-feira, o governador do Banco de Inglaterra, Marck Carney, também cancelou a sua presença.

  • A União Económica e Monetária não desempenhou o seu papel regional de “fornecedor de ativos seguros” durante a crise. Dois académicos da London Business School e da Universidade da Califórnia em Berkeley propuseram hoje em Sintra um corte com a orientação seguida