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Segunda-feira negra na Europa. Brexit continua a afundar bolsas

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Bolsas de Dublin, Estocolmo e Helsínquia em derrocada, com perdas acima de 8%. Milão e Paris caem mais de 3%. PSI 20 recua 2,3%. Madrid perde 1,8%. Libra desce mais 3,5%, fixa novo mínimo de três décadas. Preço do ouro continua a subir

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas da Finlândia, Irlanda e Suécia estiveram esta segunda-feira na primeira linha de embate do impacto negativo do Brexit, com os principais índices em derrocada. O índice ISEQ de Dublin perdeu 9,89%, liderando as quedas desta ‘segunda-feira negra’. Em Estocolmo, o índice OMXS 30 recuou 8,42% e, em Helsínquia, o índice OMX 25 desceu 8,38%.

Sete índices bolsistas europeus registaram hoje perdas entre 3% e 5%. O grupo inclui as praças financeiras de Viena, Bruxelas, Milão, Praga, Oslo, Copenhaga e Frankfurt, por ordem decrescente de quedas bolsistas. Os índices CAC 40 de Paris, geral de Atenas e AEX de Amesterdão perderam próximo de 3%.

Os índices globais Eurostoxx registaram quedas. O Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) caiu 2,86% e o Eurostoxx 600 (de 600 títulos em 18 países) perdeu 4,1%.

As perdas bolsistas na Europa esta segunda-feira são muito inferiores às verificadas na ‘sexta-feira negra’ da semana passada, no pico do embate do Brexit, que resultou do referendo britânico do dia anterior. A 24 de junho, o índice MSCI para a Europa perdeu 9% e as bolsas de Atenas, Madrid, Milão e Paris registaram derrocadas entre 8% e 13%.

Londres no epicentro do terramoto político continua a não registar quedas similares às verificadas em outras importantes praças financeiras europeias. O índice FTSE 100 (das 100 maiores cotadas no London Stock Exchange) perdeu 2,5%, mas o índice FTSE 250 (dos títulos que integram o índice londrino entre as posições 101 a 350 nas 350 maiores cotadas) afundou-se 6,96%. Este último índice, mais relacionado com a economia doméstica britânica, caiu 14% hoje e na sexta-feira anterior, a pior quebra acumulada em duas sessões desde o crash de 1987, como sublinhou o jornal "Financial Times".

A bolsa de Londres é a quinta maior do mundo em capitalização, depois do NYSE e do Nasdaq em Nova Iorque, de Tóquio e de Xangai, segundo o ranking do World Federation of Exchanges para abril.

À hora de fecho da sessão europeia, as bolsas de Nova Iorque estavam no vermelho, com os principais índices em Wall Street a recuarem mais de 1,5% e o índice do Nasdaq (a bolsa das tecnológicas) a perder mais de 2%.

A Ásia Pacífico fechou 'mista', mas três das mais importantes bolsas da região fecharam com ganhos acima de 1%. O índice composto de Shenzhen (7ª maior bolsa do mundo em capitalização) ganhou 2,43%, o Nikkei 225 de Tóquio (3ª maior bolsa do mundo) subiu 2,39% e o índice composto de Xangai (4ª maior bolsa do mundo) avançou 1,45%. A Ásia Pacífico esteve a contracorrente esta segunda-feira. O dia foi marcado na Ásia pela reunião de coordenação entre o governo nipónico e o Banco do Japão com vista a assegurar uma resposta aos efeitos do Brexit. Os analistas chamam a atenção que a moeda chinesa já desvalorizou 1,1% em relação ao dólar desde o início de junho.

Novo mínimo da libra em três décadas

O preço da onça de ouro prosseguiu a sua trajetória de subida acima de 1300 dólares, fechando em 1323,35 dólares no final da sessão europeia, uma subida de 0,2% em relação a sexta-feira passada. Alguns analistas apontam para um subida do preço para o patamar dos 1400 dólares.

A libra esterlina continuou a cair esta segunda-feira face ao dólar, atingindo um novo mínimo em mais de três décadas quando caiu para 1,315 dólares pelas 15h45 (hora de Portugal). No fecho da sessão europeia, o câmbio era de 1,32 dólares por libra, uma descida de 3,5% em relação a sexta-feira.

A moeda britânica caiu para estes mínimos desde 1985 apesar do chanceler das Finanças George Osborne ter publicado uma declaração assegurando aos investidores internacionais que a economia do Reino Unido é "resiliente" e que o sistema financeiro e bancário está "saudável". Algun analistas apontam para uma queda do câmbio para 1,2 a 1,25 dólares por libra. O jornal "Financial Times" sublinhava hoje que esta desvalorização favorece os sectores exportador e turístico do Reino Unido.

O preço do barril de petróleo de Brent, que serve de referência internacional, caiu hoje 1,5%, com o Brent a cotar-se em 47,70 dólares no encerramento da sessão europeia, depois de ter atingido um pico de 52,51 dólares no fecho de 6 de junho.

Reviravolta em Madrid

Esta segunda-feira, as bolsas de Lisboa e Madrid não estiveram nos dois primeiros arcos de impacto do Brexit, mas fecharam em terreno negativo. O índice PSI 20, de Lisboa, caiu 2,26%, com os títulos da Mota Engil e da The Navigator Co (grupo Portucel Soporcel) a liderarem as quedas, com perdas superiores a 6%.

A bolsa de Madrid foi palco de uma reviravolta. O índice IBEX 35 abriu a subir 3%, impulsionado pelo aumento nas eleições legislativas de domingo da votação no Partido Popular (PP), o partido do atual governo em gestão, que consolidou a sua posição como primeira formação política no Congresso de deputados e com maioria absoluta no Senado. Mas, meia hora depois da abertura, iniciou uma queda a pique e fechou esta segunda-feira a perder 1,48%.

O processo de formação do novo governo espanhol deverá iniciar-se entre 20 e 22 de julho quando o rei realizará a primeira ronda com os representantes dos partidos com representação no novo Congresso devendo encarregar Mariano Rajoy, líder do PP, para procurar ser investido no parlamento. Entre finais de julho e princípio de agosto, os procedimentos permitem que um primeiro-ministro possa ser investido se a sua proposta de governo tiver maioria absoluta numa primeira votação, ou maioria simples (mais votos a favor do que contra) numa segunda votação 48 horas depois.