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Fundo de investimento da Carlyle vai entrar no capital da Logoplaste

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Um dos fundos de investimento do gigante Carlyle vai entrar no aumento de capital da Logoplaste, no terceiro trimestre de 2016, "para financiar as novas fábricas que vamos construir nos próximos três anos", disse ao Expresso o presidente executivo da Logoplaste, Filipe de Botton

A Logoplaste e o Grupo Carlyle – um gigante financeiro que gere um volume global de ativos da ordem dos 178 mil milhões de dólares – chegaram “a acordo sobre o processo de aumento de capital em curso na Logoplaste”, referiu ao Expresso o presidente executivo da empresa produtora de embalagens plásticas, Filipe de Botton, revelando que “o fundo Carlyle Europe Partners IV (CEP IV) será nosso parceiro a partir do terceiro trimestre de 2016, depois da operação ser aprovada pelas autoridades de mercado”.

A operação realiza-se com base numa avaliação da Logoplaste em cerca de 660 milhões de euros – conforme tinha sido divulgado pelo jornal espanhol El Economista, embora Filipe de Botton tivesse negado inicialmente esta informação – e “permitirá a entrada do Grupo Carlyle no capital da Logoplaste em condições paritárias, durante um período de tempo em que pretendemos avançar com investimentos que deverão duplicar a atual dimensão da Logoplaste”, refere o gestor português. A empresa sediada em Cascais gere atualmente uma rede mundial de 59 fábricas de produção de embalagens plásticas, instaladas dentro das unidades industriais dos seus clientes, entre os quais estão gigantes como a Procter&Gamble, a SC Johnson, a Diageo, a Dannon, a KeyKeg.

Os consultores jurídicos desta operação são a PLMJ, pela Logoplaste, e a Linklaters, pelo Grupo Carlyle, mas, contactados pelo Expresso, as duas firmas de advocacia recusaram fazer comentários. O fundo CEP IV e um dos 125 fundos de investimento geridos pelo Grupo Carlyle pelos seus 36 escritórios que operam em quase todas as geografias a nível mundial.

Neste processo de procura de um parceiro financeiro forte, o presidente executivo da Logoplaste nega que tenha sido confrontado com a imposição da mudança da equipa executiva da empresa, co-liderada por Filipe de Botton e Alexandre Relvas. “Vamos continuar a liderar a gestão da Logoplaste de forma inequívoca”, afirmou o gestor, explicando que “o Grupo Carlyle deverá manter-se no capital da Logoplaste num prazo de cinco a sete anos, ao fim do qual poderá vender a sua participação no mercado”.

Filipe de Botton nega que a Logoplaste tenha um volume de dívida “excessivo” para os resultados da sua atividade, garantindo que “o rácio da dívida é muito confortável para os nossos resultados operacionais, pois mantemos um nível de endividamento inferior ao que é praticado pelos nossos concorrentes”. No entanto, Filipe de Botton não divulga o valor total da dívida da Logoplaste.

“Há cerca de um ano e meio que a Logoplaste começou a ser solicitada para entrar em projetos de dimensão superior aos investimentos que integram o grupo das fábricas desenvolvidas com os nossos 39 parceiros, a funcionar em 18 países de quatro continentes”, explicou ao Expresso.

O atual grupo de 59 fábricas de embalagens de plástico, que emprega 2050 trabalhadores foi construído com um “investimento anual que tem variado entre os 60 e os 80 milhões de euros”, mas agora os projetos em curso implicam um volume de investimento superior, pelo que a Logoplaste teve de equacionar alternativas de financiamento que passam pelo aumento do capital social subscrito por investidores de grande dimensão internacional que permitam avançar para projetos muito maiores que as nossas fábricas tradicionais”, explicou Filipe de Botton.

A Logoplaste produz 391 embalagens plásticas por segundo e pretende aumentar a sua dimensão global nos próximos três anos, o que leva Filipe de Botton a avançar para investimentos de grande dimensão em mercados maduros como os EUA. “Estamos com grandes projetos de novas fábricas na costa Este dos EUA, sujeitos a acordos NDA (non-disclosure agreement), onde vamos investir cerca de 160 milhões de dólares numa das fabricas e mais 50 milhões de dólares em outra, o que corresponde a um valor total de 210 milhões de dólares, permitindo aumentar em 40% a atual produção mundial da Logoplaste”, referiu Filipe de Botton.

“Estes investimentos implicavam que a Logoplaste entrasse com 30% de capitais próprios, o que implicava um volume muito elevado de dinheiro próprio e isso só se torna possível com o processo de aumento de capital que temos em curso”, adianta Filipe de Botton.

Em 2015 a Logoplaste apresentou um volume de vendas de 468 milhões de euros, o que posiciona o grupo entre os cinco maiores produtores de embalagens plásticas na Europa, “mas agora o nosso objetivo é aumentar significativamente a nossa dimensão global para consolidarmos uma posição no mercado mundial que permita acompanharmos a solicitações dos nossos maiores clientes, o que implica termos capacidade para construir fábricas maiores”, explicou ainda o presidente executivo da Logoplaste, referindo que “a parceria com o grupo Carlyle permitirá garantir financiamento adequado a esse nível de crescimento”.

“Há oito anos entrámos, começando do zero, no mercado da América do Norte, e agora estávamos a ser confrontados com projetos de grandes dimensões que queremos continuar a acompanhar, mas precisámos de ter acesso a um tipo de financiamento que responda a estas exigências do mercado de produção de embalagens de plástico, porque sabemos que são não fossemos nós a construir estas fábricas, seriam certamente feitas pelos nossos concorrentes e isso é precisamente o que não queremos que aconteça”, afirma Filipe de Botton.