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“Vamos premiar quem investir mais depressa”

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Pedro Marques na quarta-feira quando recebeu o Expresso no ministério do Planeamento, após ter assisitido ao jogo Portugal-Hungria: a gravata não era para ser esta. A outra não resisitiu ao pescoço do ministro perante os seis golos que ditaram o empate por 3-3

Alberto Frias

Pedro Marques, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, é o patrão dos fundos europeus do Portugal 2020 deste Governo. Em entrevista ao Expresso, explica o seu papel de “dínamo” do investimento público e privado no país e promete dar mais dinheiro às empresas e autarquias que conseguirem concretizar os seus projetos de investimentos já em 2016.

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

A queda do investimento no país já está a fazer soar as campainhas vermelhas no Governo?

Por vezes as questões de ideologia baralham-se. O governo anterior, que era muito de direita e que parecia muito pró-investimento, esqueceu-se basicamente de fazer arrancar o sistema de incentivos às empresas do Portugal 2020. Nós, apesar de nos acusarem de um discurso muito esquerdista, temos estado continuamente a trabalhar desde o dia 1 para dinamizar o investimento, quer das empresas quer das autarquias. Mal chegámos, lançámos o plano 100 e já pagámos mais de €200 milhões de incentivos do Portugal 2020 às empresas, uma aceleração de 50% face ao QREN. As empresas responderam candidatando um número recorde de projetos de investimentos aos concursos de abril e maio e tomámos a decisão de duplicar a dotação destes concursos para podermos aprovar cerca de €2 mil milhões desses investimentos. Quanto às autarquias, já temos €1400 milhões de concursos na rua. No decreto-lei de execução orçamental, também incluímos a questão do concurso público urgente para tudo o que fossem obras com fundos comunitários e os empréstimos para assegurar a contrapartida nacional deixam de contar para o endividamento... Se há coisa de que não nos podem acusar é de não fazer tudo pelo investimento.


Mas apesar de todas essas medidas, a verdade é que o investimento caiu no primeiro trimestre. A meta do Governo para 2016 é acelerar o investimento em 4,9%, mas o Banco de Portugal diz que vai estagnar e a OCDE que vai cair...

Do meu lado, do lado de quem está a gerir os fundos europeus, eu tenho que acreditar que isso vai acontecer porque as candidaturas para fazer projetos de investimento estão cá. O que se passou foi que a economia travou no segundo semestre de 2015 e aquele momento de longa incerteza associada ao processo eleitoral e à formação do Governo não foi favorável ao investimento. Mas desde o primeiro dia que nós tratamos de fazer chegar dinheiro às empresas e de combater a ideia de que a ideologia nos afastaria das empresas. Com a aprovação do Orçamento do Estado, criaram-se condições diferentes para aparecer outro tipo de números do segundo trimestre para a frente.


Acredita então na melhoria das contas deste segundo trimestre?

Não posso antecipar esse tipo de números, mas sabemos que a produção industrial teve o segundo melhor crescimento da União Europeia, sabemos da enorme procura das empresas aos sistemas de incentivos do Portugal 2020. O investimento terá que acontecer porque senão estes números não fazem sentido...


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