Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Reino Unido: o quarto maior destino das exportações portuguesas. E agora?

  • 333

Exportar é crescer. A eficiência dos portos portugueses é um fator crítico na logística do crescimento

Rui Duarte Silva

Mais de 2.600 empresas portuguesas vendem para o Reino Unido, um mercado com o qual Portugal tem uma balança comercial positiva. O presidente da Frulact, que tem no Reino Unido cerca de 4% das suas receitas, admite que a incerteza sobre o que aí vem “pode causar danos a muitas empresas”

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A radiografia das relações comerciais entre Portugal e o Reino Unido não podia, à luz do Brexit, ser mais preocupante: estamos fortemente dependentes do mercado britânico. Há mais de 2.600 empresas portuguesas a exportar para o Reino Unido, que é o quarto maior destino das nossas vendas ao exterior.

Os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) são claros. Em 2015 Portugal exportou para o Reino Unido 3,35 mil milhões de euros e importou 1,88 mil milhões, conseguindo, por isso, um saldo positivo de quase 1,5 mil milhões. Em 2016 a balança comercial é ainda mais favorável. No primeiro trimestre as exportações para o Reino Unido cresceram 5,3%, enquanto as importações baixaram 6,1%. Até março Portugal alcançou um superávit comercial de 408 milhões com o Reino Unido.

Durante anos na quinta posição como destino das nossas exportações, o Reino Unido passou em 2015 a ser o quarto destino das vendas portuguesas ao exterior, posição que se mantém no primeiro trimestre de 2016. Em sentido inverso, o Reino Unido é o sétimo maior mercado de origem das importações portuguesas.

E o que vende Portugal ao Reino Unido? Acima de tudo, máquinas e aparelhos (quase 19% do total) e também veículos (perto de 16%). Assumem ainda posições relevantes, segundo o INE, o vestuário (8,5% das exportações), metais (7%) e produtos alimentares (6,6%).

O que sucederá agora, com a decisão britânica de saída da União Europeia? Como serão as relações comerciais afetadas? Quanto tempo durará a incerteza? As incógnitas são muitas. As preocupações também.

“Quando temos um país que vai mudar as regras isso vai trazer seguramente falta de visibilidade e estabilidade, vai ser um motivo de grande preocupação e pode causar danos a muitas empresas”, reconhece João Miranda, presidente da Frulact.

A Frulact tem no Reino Unido entre 3% e 4% das suas vendas. Embora não esteja dependente deste mercado, a empresa portuguesa avalia com atenção o desenrolar do Brexit. “Preocupa-me. Mais do que a incerteza no Reino Unido, preocupam-me os impactos que isto possa ter noutros países da União Europeia”, conta João Miranda ao Expresso.

O empresário antecipa especiais dificuldades em sectores como o dos produtos alimentares frescos, cujas empresas precisam de logística rápida na colocação dos seus produtos no mercado britânico.

Na edição do passado sábado o Expresso já havia recolhido sinais de preocupação no mundo empresarial e económico. “Se o Reino Unido e outros países nórdicos saírem da UE, Portugal ficaria uma província de Espanha e isso não seria bom para ninguém”, comentou o presidente do Fórum para a Competitividade, Pedro Ferraz da Costa. “A saída do Reino Unido, que tem sido um parceiro natural dos portugueses ao longo de várias épocas, só iria reforçar o peso espanhol na relação das forças económicas existentes no mercado ibérico”, declarou Ferraz da Costa.