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Portugal entre os mais afetados pelo ‘cisne negro’ do Brexit

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Periféricos do euro são os mais abalados pelo terramoto financeiro. Quedas acima de 10% nas bolsas de Atenas, Madrid e Milão. PSI 20 da bolsa de Lisboa cai 7,5%. Juros da dívida portuguesa e grega são os que mais sobem. Corrida a valores refúgio

Jorge Nascimento Rodrigues

O terramoto financeiro que se seguiu à vitória do Brexit no referendo britânico provocou uma sexta-feira negra nos mercados financeiros. As bolsas da Europa são as mais afetadas, com três periféricos da zona euro na linha de frente do embate. Os índices de Atenas, Madrid e Milão caem mais de 10% ao final da manhã.

O índice PSI 20 da bolsa de Lisboa integra um segundo anel com quedas bolsistas entre 7 e 10%, que abrange outro periférico do euro, a Irlanda, quatro bolsas do centro do espaço da moeda única – Amesterdão, Bruxelas, Frankfurt, Paris e Viena – e uma importante economia emergente europeia, a Polónia. O PSI 20 estava a perder 7,5%, com os títulos do BCP e dos CTT a recuarem mais de 15%.

A nível global da Europa, o índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) perde 9,2% e o Eurostoxx 600 (que abarca 600 títulos de 18 países europeus) cai 7,3%.

O índice FTSE 100 da bolsa de Londres, na City, apesar de estar no epicentro do terramoto político, recua 4,6%.

Alguns analistas na quarta-feira, face às perdas nas bolsas de Nova Iorque e ao disparo de 15% do índice de volatilidade - que sinaliza o pânico financeiro -, chamaram a atenção para a possibilidade de ocorrer um 'cisne negro', ou seja, o que era impensável, uma vitória do Brexit, vir a concretizar-se, apesar da opinião generalizada de que, após o assassinto da deputada Jo Cox, a tendência de vitória da permanência se consolidaria.

Os ganhos de 2,1% na Europa e de 1,4% nos Estados Unidos na própria quinta-feira pareceram indicar que os mercados financeiros não acreditavam em uma vitória do Brexit e que um 'cisne negro' estava definitivamente afastado dos cenários. A realidade política desmentiria os mercados e as últimas sondagens divulgadas.

Efeito de tesoura nos juros

O que se está a passar no mercado secundário da dívida soberana revela outro impacto do terramoto do Brexit, o ‘efeito tesoura’, com as yields das obrigações dos periféricos em trajetória ascendente e as relativas aos títulos das economias do centro em queda. O facto marcante é o regresso das yields das obrigações alemãs a 10 anos a terreno negativo, depois de cinco sessões consecutivas em terreno positivo.

Grécia e Portugal são os dois periféricos mais afetados pela subida das yields da dívida obrigacionista. As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos subiram, logo na abertura, para 3,71%, mas, depois, desceram para 3,34% ao final da manhã, mesmo assim, 65 pontos base acima do valor de encerramento na quinta-feira (3,09%). No caso grego, as yields das obrigações a 10 anos subiram 69 pontos base, estando, ao final da manhã, em 8,69%. Durante a sessão matinal chegaram a aproximar-se dos 9%.

Em contraste, as yields da dívida das economias do centro do euro estão em queda. O facto marcante é o regresso das yields das obrigações alemãs a 10 anos a terreno negativo, fixando novo mínimo histórico em -0,17%. Ao final da manhã registam -0,1%.

No caso das obrigações britânicas, as yields no prazo a 10 anos fixaram um novo mínimo histórico em 1,018%.

Outros traços da corrida a valores refúgio é o que se está a passar com o ouro. O preço da onça subiu 4,5%, ultrapassando o limiar dos 1300 euros, fixando um novo pico do ano e um máximo desde o início de julho de 2014. Ao final da manhã, o preço subira para 1322,2 dólares.