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PSI20 perde 7% num dia de quedas generalizadas na Europa após 'Brexit'

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Entre as 18 cotadas do PSI20, o principal índice da bolsa lisboeta, apenas a Pharol encerrou no verde, ao ganhar 2,11% para os 0,097 euros

Lusa

A Bolsa de Lisboa encerrou hoje a perder 6,99% para os 4.362,11 pontos, com o BCP a liderar as perdas, num dia de fortes quedas na Europa, reagindo assim negativamente ao ‘Brexit’.

Entre as 18 cotadas do PSI20, o principal índice da bolsa lisboeta, apenas a Pharol encerrou no verde, ao ganhar 2,11% para os 0,097 euros, tendo as restantes fechado o dia no vermelho, com cinco cotadas a desvalorizarem-se mais de 10%.

O BCP (-12,20% para 0,018 euros), os CTT (-10,77% para 6,937 euros), a EDP (-10,68% para 2,635 euros), a NOS (-10,53% para 5,432 euros) e a Sonae SGPS (-10,27% para 0,734 euros) registaram as maiores quedas.

O dia ficou marcado por fortes quedas nos mercados bolsistas europeus, numa reação negativa à saída do Reino Unido da União Europeia decidida pelos britânicos na quinta-feira (e conhecida hoje): o índice Eurostoxx50 – que é composto pelas 50 maiores empresas europeias – desvalorizou-se 8,62%.

Madrid perdeu 12,35%, Paris desceu 8,04%, Frankfurt recuou 6,82% e Londres caiu 3,15%.

O presidente do IMF - Informação de Mercados Financeiros, Filipe Garcia, admitiu que o cenário vermelho já era esperado, depois da “surpresa e choque” dos mercados desta manhã. “Os mercados tiveram vários dias seguidos, semanas a posicionar-se ao cenário contrário, agora os mercados estão a procurar voltar aos preços de referência”, disse.

O analista considerou ainda que o cenário de saída acaba por ser “mais prejudicial para o Reino Unido do que para a União Europeia”, em termos de impacto económico, mas que do ponto de vista político, os riscos “são mais simétricos”.

“Há o risco de desagregação dentro do Reino Unido, mas também se começa a falar de dentro da União Europeia”, disse Filipe Garcia, lembrando que há eleições legislativas em Espanha no próximo domingo e que isso também justifica que a bolsa madrilena tenha caído 12,35%.

Na praça de Lisboa, é preciso recuar 20 anos para encontrar o PSI20 com um nível de pontos tão baixo. Outro valor relevante, é o valor da capitalização bolsista, que foi de 14.000 milhões de euros.

“No caso português, a economia portuguesa tem uma exposição importante ao Reino Unido e, como um país periférico é dos mais vulneráveis”, afirmou.

Ainda assim, o analista do IMF disse que, apesar das grandes perdas do dia de hoje, “não houve grandes erupções”, ou seja, não foram criados “grandes problemas para as empresas”, ao contrário do que aconteceu em 2008. “Houve uma transação emocional. Agora as coisas vão encontrar o seu caminho”, disse.

Os eleitores britânicos decidiram que o Reino Unido vai sair a União Europeia (UE), depois de o 'Brexit' ter conquistado 51,9% dos votos no referendo de quinta-feira, cuja taxa de participação foi de 72,2%. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou já a sua demissão com efeitos em outubro.

Numa primeira reação, os presidentes das instituições europeias (Comissão, Conselho, Parlamento Europeu e da presidência rotativa da UE) defenderam um ‘divórcio’ o mais rapidamente possível, “por muito doloroso que seja o processo”.