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O que pode acontecer à economia britânica?

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ANDY RAIN

Estudo do FMI avisa que, no cenário pior, o Reino Unido pode entrar em recessão no próximo ano com uma perda de 3,7 pontos percentuais de crescimento. Há estimativas mais negras de outros estudos que chegam a impactos na ordem dos 8%

Há números e estudos para todos os gostos. É praticamente impossível escalpelizar, em poucos parágrafos, toda a análise económica que foi produzida sobre o cenário de saída do Reino Unido da União Europeia. Um dos mais recentes e exaustivos estudos foi divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no final da semana passada e aponta para que, no cenário mais adverso, a economia britânica entre em recessão no próximo ano com uma queda do PIB de 0,8%.

No cenário base, sem Brexit, o FMI projeta um crescimento de 1,9% este ano, 2,2% em 2017 e 2018 e 2,1% nos três anos seguintes. No cenário intermédio, a economia cresce sempre mas apenas 1,7% este ano, 1,4% em 2017, 1,8% em 2018 e 2,1% entre 2019 e 2021. No cenário mais adverso, os números são ainda piores: 1,1% (2016); -0,8% (2017); 0,6% (2018); 1,7% (2019); 2,6% (2020) e 2,9% em 2021.

Mas existem diversos estudos sobre os efeitos de longo prazo do Brexit que variam entre ganhos na ordem dos 5% do PIB e perdas a rondar 8%. O impacto final dependerá sempre do processo de saída, da forma com os mercados financeiros o encararem e, a médio e longo prazo, da ligação que o Reino Unido mantiver com a União Europeia (UE). Não é igual para o PIB britânico sair e ficar com um estatuto semelhante à Noruega – que não está na UE mas pertence ao Espaço Económico Europeu (EEA) – ou simplesmente ficar totalmente desligado e lidar com a Europa através das regras gerais da Organização Mundial de Comércio (OMC).

Os canais através dos quais o PIB britânico é afetado com a saída (positiva ou negativamente) são simples de identificar ainda que difíceis de quantificar: comércio externo; investimento; mercado de trabalho e imigração; efeitos na produtividade relacionadas com estes vários fatores; e, finalmente, a alteração dos custos orçamentais da integração europeia.

Os mercados, para já, estão em pânico porque não gostam de incerteza. E essa é, de resto, uma das dúvidas que é necessário esclarecer para avaliar os estragos do voto britânico: saber até que ponto esta turbulência financeira tem efeitos duradouros na economia do Reino Unido.

A fuga de capitais que se observa do Reino Unido – e que está a provocar a queda da libra e da bolsa de Londres – pode ser transitória, e aí não tem graves consequências, ou pode ser mais ou menos permanente e, nesse caso, os estragos chegarão rapidamente à economia real.