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Notícia "má" e dececionante", dizem associações dos têxteis e do calçado

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Sector têxtil acredita que a união aduaneira será mantida, apesar de recear impacto negativo por causa do valor da libra e da queda no consumo. Associação das empresas de calçado fala em "balde de água fria", mas sublinha que não está dependente de um único mercado

“É uma má notícia para a Europa e para Portugal”. Quem o diz é Paulo Vaz, diretor-geral da ATP - Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, sobre a decisão dos eleitores britânicos de retirar o país da União Europeia (UE). Salvaguardando que é prematuro fazer especulações sobre a matéria, o representante do sector acredita que o Reino Unido irá sair, mas não completamente. “Creio que será possível assegurar uma relação com a UE semelhante às que existem com a Suíça e a Turquia, com acordos aduaneiros e de circulação de mercadorias iguais”.

O Reino Unido é um mercado antigo para o sector têxtil, sendo o terceiro maior destino das suas exportações. “Representa entre 10% e 12% das exportações do sector, vale cerca de 450 milhões de euros e cresceu 9% no último ano”.

Para Paulo Vaz, o impacto deste resultado nas empresas portuguesas dependerá de vários fatores: do valor da libra – “se desvalorizar, seremos penalizados nas exportações” -, do ambiente económico, que “não será de euforia e isso tem um efeito negativo no consumo”, do enfraquecimento que o euro terá face ao dólar e ao iene, e do acordo aduaneiro que vier a ser definido com a UE.

O líder da ATP acredita que a liberdade de circulação das mercadorias interessa às duas partes (Reino Unido e UE). “Cerca de 50% de tudo o que o Reino Unido vende tem a UE como destino, por isso não acredito que isto seja negligenciado, devendo manter-se o bom senso com uma união aduaneira e um espaço de comércio livre”, afirma.

A associação das empresas de calçado também não esconde a desilusão perante este resultado. Para Paulo Gonçalves, diretor de comunicação da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes e seus Sucedâneos ( APICCAPS), esta decisão foi, “um balde de água fria, nomeadamente pelo efeito contágio que poderia ter noutros países da UE”. Mas também porque “o nosso país sempre teve no Reino Unido um parceiro comercial de referência (pelo menos desde os Descobrimentos)”, pelo que “o resultado deste referendo é dececionante”.

Paulo Gonçalves não antecipa, porém, que esta decisão tenha grande efeito no quotidiano das empresas de calçado que a associação representa. Apesar de o Reino Unido ser o quinto principal mercado de destino do sector do calçado, representando, por ano, “cerca de 7% das nossas exportações (qualquer coisa como 120 milhões de euros)”, felizmente, “a indústria portuguesa de calçado exporta 98% da sua produção para 152 países nos cinco continentes e não está dependente de um único mercado”.