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Brexit não traz cancelamentos de turistas ingleses para Portugal em 2016

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Os hotéis nacionais não têm cancelamentos de turistas ingleses, mas estão apreensivos quanto aos impactos na queda da libra

Nuno Botelho

Associação dos hoteleiros sustenta que Portugal vai continuar a em 2016 o o melhor ano turistico. A principal preocupação está no efeito que terá na desvalorização da libra

Os hotéis nacionais não registaram até ao momento cancelamentos de turistas ingleses na sequência do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, garante a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP),adiantando que o turismo português irá manter a esperada trajetória de crescimento em 2016.

"Não há cancelamentos, e o ano de 2016 vai ser melhor que o de 2015, e vamos ultrapassar pela primeira vez o ano de 2007 em preço médio", adianta Raul Martins, presidente da AHP. Com o Brexit, "para o turismo não vai haver problema especial, os britânicos já eram nossos turistas antes de haver União Europeia e o seu gosto britânicos por visitar Portugal não vai mudar. Não é por isso que os vamos começar a tratar mal, ou que eles deixarão de vir a Portugal".

A grande incógnita associada ao Brexit, segundo o porta-voz dos hoteleiros, coloca-se ao nível da desvalorização da libra, que mexe diretamente com o poder de compra dos ingleses. "Vai haver mais flutuação do que havia anteriormente, mas o poder económico dos ingleses mantém-se", salienta Raul Martins, lembrando que "esta ferida da Grã-Bretanha na verdade é só de Inglaterra, pois tudo indica que a Irlanda (e nós temos muitos turistas irlandeses) e a Escócia vão querer ficar na UE)".

"Europa tem de pensar outra cultura e não ser tão subserviente a Bruxelas"

"Não há cancelamentos e não vai haver repercussões a curto prazo, mas isso não é o principal problema, aqui os efeitos são sempre detonadores à distância. Não é bom para o turismo e para Portugal", adverte por seu turno António Trindade, presidente do grupo Porto Bay, que tem hotéis na Madeira e no Algarve, onde o peso de britânicos é forte. O hoteleiro vê a saída do Reino Unido da União Europeia "com dupla apreensão, na qualidade de empresário e de cidadão".

"Mais importante que a questão dos cancelamentos, é o facto de se afigurar o início da desagregação europeia, e isso sim, causará problemas para Portugal", defende António Trindade. "A Europa tem que pensar numa outra cultura não tão subserviente a Bruxelas, no sentido de criar um novo espaço de solidariedade. Estão a crescer por todo o lado chauvinismos e nacionalismos,por parte de grupos de extrema-direita e também de extrema esquerda, fruto destes níveis de insegurança, o que pode criar uma situação de grande instabilidade política e social".

Segundo o hoteleiro, "a nossa grande preocupação é, em primeiro lugar, o que vai acontecer à libra, e se haverá uma desvalorização muito grande. Numa lógica de destino, o maior efeito é este". Com a desvalorização da libra, Portugal fica mais caro para os ingleses, "e nós com o euro estamos num abiente de moeda forte".

A saída do Reino Unido da UE irá necessariamente mexer também com a estrutura de grandes operadores turísticos como TUI, Thomas Cook ou Tompson, onde o peso de britânicos é grande, a par de companhias aéreas, em particular a British Airways,salienta ainda António Trindade.

"Esta separação, dentro e fora da UE, criará alguns 'handicaps' que podem ser nefastos à atividade turística", frisa. "Nos últimos dez anos assistimos a grandes concentrações na área da operação turística e aérea, com todo um movimento de concentrar a operação numa escala pan-europeia. Com a saída de Inglaterra da UE, as regras e os modelos de negócios terão de ser revistos. O que nos obriga também a nós, em Portugal, a repensar o negócio e a voltar a modelos que tinhamos há 20 anos".