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Brexit força descida da cotação do petróleo

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António Costa Silva, presidente da Partex, considera que a saída do Reino Unido da União Europeia trava o crescimento do consumo de combustíveis na Europa e força a descida da cotação do petróleo

O Brexit confirma "o mal-estar que desde há muito tempo existe sobre o projeto da União Europeia" e que terá consequências imediatas em vários sectores da actividade económica, com "especial incidência na redução da procura de petróleo e de combustíveis refinados", considera o responsável executivo da Partex, António Costa Silva. O resultado prático desta conjuntura pode traduzir-se na manutenção das cotações do petróleo em torno dos 50 dólares por barril, forçando a descida dos preços dos combustíveis. Ou seja: inviabiliza cenários de crescimento do consumo da gasolina e do gasóleo no continente europeu nos próximos meses - enquanto não for clarificado o processo de negociação da saída do Reino Unido na União Europeia, prevê Costa Silva.

"Sem uma liderança política da União Europeia que consiga cativar as populações torna-se inevitável a desagregação do projeto europeu, pelo que temo o pior para a Europa no futuro imediato", comentou Costa Silva, referindo que "a crise financeira, a crise dos refugiados e a crise do euro contribuem para acentuar a xenofobia e os movimentos anti-emigração que ganham espaço devido à falta de liderança da UE".

"Há outro problema que é incontornável na Europa, e que já teve consequências desagradáveis na Ucrânia - devido à passividade europeia -, que se traduz na incapacidade da UE lidar com a Rússia o que, se entretanto esta realidade não for invertida, poderá ter um custo terrível, igualmente com consequências graves no mercado dos combustíveis, do gás natural e do petróleo", alerta.

Costa Silva considera que o reequilíbrio do mercado dos combustíveis estava a ser gradualmente conseguido, ajustando a produção de petróleo ao perfil da procura, que tendia para aumentar ligeiramente e de forma consistente. A produção no mercado dos EUA já tinha sido reajustada, com a redução de 500 mil barris de petróleo por dia, enquanto a procura média de petróleo estava a progredir razoavelmente, explica o gestor da Partex. A perspetiva de evolução de preços existente no mercado internacional antes do Brexit apontava para o crescimento das cotações do petróleo, no horizonte dos próximos 12 meses, passando do patamar dos 50 a 55 dólares por barril, para o patamar dos 60 a 65 dólares por barril, considera Costa Silva.

No entanto, com a nova vaga de incerteza geral provocada pelo efeito do Brexit, "a evolução do mercado petrolífero foi fortemente alterada, dando lugar a uma nova retração da procura de petróleo e a uma baixa do consumo dos combustíveis e nivel geral", refere. "Na conjuntura do Brexit será impossível admitir um crescimentro da atividade económica que sustente o aumento do consumo de combustíveis, pelo que é previsível que as cotações do petróleo tenham uma evolução contrária, com preços dificilmente acima dos 50 dólares por barril", prevê o responsável da Partex.