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Abalo do Brexit no turismo vai depender da desvalorização da libra

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Algarve está apreensivo com o seu principal mercado, gerador de 33% das dormidas. Os impactos para o turismo em Portugal são ainda difíceis de determinar, e no sector acredita-se que continuará a ser "o melhor ano de sempre"

Conceição Antunes

A notícia da saída do Reino Unido da União Europeia deixou o sector do turismo em alerta. No Algarve, onde os turistas ingleses são o principal mercado (com 33% das dormidas totais, num total de 5,75 milhões), a associação dos hoteleiros "não esconde a sua preocupação face à instabilidade financeira criada na sequência do Brexit e as implicações que pode vir a ter nos resultados turísticos da região nos tempos mais próximos".

A eventual desvalorização da libra associado ao Brexit é o principal fator de risco apontado pelos hoteleiros nacionais. "No imediato, se houver desvalorização da libra, é provável que haja algum corte na vinda de turistas ingleses para Portugal", considera Jorge Rebelo de Almeida, presidente do grupo Vila Galé, sustentando que "a prazo, se há mercado super-fidelizado a Portugal, é o inglês".

Segundo o hoteleiro, não será o Brexit a estragar o ano turístico que se prevê positivo em Portugal. "Este ano já há muita reserva feita, e as razões que levaram ao aumento turístico em Portugal, tal como em Espanha, mantém-se todas", frisa.

Para Jorge Rebelo de Almeida, "o mais preocupante no futuro, é que isto poderá ser o início da desagregação de outros países da UE. E pode ser um sinal de alerta para a União Europeia tomar juízo e refletir sobre o rumo que quer seguir, e corrigir alguns disparates que tem feito, associada aos burocratas de Bruxelas que já são a sua imagem de marca, o facto de não ter sensibilidade para os problemas de cada país ou o domínio de uns países sobre os outros".

No sector das viagens, são esperados impactos com o Brexit, mas ainda difíceis de determinar. "Para o turismo, foi um dia triste, ocorreu um importante momento de afastamento que é novo na história, o que é mau para o turismo em geral", salienta Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT).

Frisando que ainda é cedo para avaliar os impactos do Brexit no sector, pois "os contornos e timings deste processo estão longe de estar definidos", o presidente da APAVT considera que irá inevitavelmente ter consequências nas viagens dos ingleses, "e Portugal será o mais afetado pelo abalo geral, tendo em conta que o Reino Unido é só o primeiro emissor de receitas turísticas para o país".

Muitas reservas de ingleses para o ano de 2016 já estão efetuadas, "mas subsistem dúvidas se vai haver cancelamentos ou não", adverte Costa Ferreira. "Se os abalos do Brexit serão num prazo mais curto e que ponham em causa os resultados turísticos do país, se serão já este mês ou este ano, isso já é mais difícil de avaliar".

Segundo o líder das agências de viagens, "contactámos os nossos colegas da associação inglesa de agência de viagens sobre esta questão e eles foram ainda pouco concretos. Mas notou-se a percepção que a emissão de turistas do Reino Unido vai atravessar um momento complicado".

Apesar de não poder avaliar ainda "a real dimensão do impacto do Brexit para o nosso turismo", Pedro Costa Ferreira prevê que "para Portugal, ainda assim, 2016 continuará a ser melhor ano turístico de sempre".