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Relatório de insolvência da dona do “Diário Económico” vai ser revisto

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A assembleia de credores da ST&SF, empresa do grupo Ongoing, foi adiada. O objetivo é rever o relatório de insolvência alvo de críticas, por ter considerado a greve dos trabalhadores como um dos fatores que levou ao fecho do jornal

Foi decidido na assembleia de credores da ST&SF, empresa que controla o "Diário Económico", realizada esta quarta-feira, remarcar uma nova reunião para o dia 13 de julho.

O que se pretende com este adiamento é que a administradora judicial responsável pelo processo de insolvência da empresa do grupo Ongoing, Paula Mattamouros Resende, reformule e melhore o relatório sobre a instituição, disse ao Expresso um dos credores da ST&SF.

A votos na assembleia desta quarta-feira estavam duas possibilidades: a liquidação da ST&SF ou a recuperação da empresa. A administradora judicial aponta para a inevitabilidade da liquidação da empresa.

O relatório considera que um dos fatores que contribuiu para que o "Diário Económico" fechasse foi a greve realizada pelos jornalistas a 10 de março deste ano. Uma conclusão que tem sido alvo de fortes críticas cas nas redes sociais, nomeadamente por parte de trabalhadores do grupo de Nuno Vasconcellos, e que foi questionada esta quarta-feira na reunião de credores.

O "Diário Económico" foi para a banca em papel pela última vez a 18 de março de 2016, poucos dias depois da greve. Nessa altura, os trabalhadores já acumulavam vários meses de salários em atraso e alguns credores já estavam a pressionar a empresa. A administradora judicial defendeu no relatório que a greve geral dos trabalhadores, a par do corte de fornecimento de serviços por parte dos fornecedores, foram fatores que fizeram com que a "insolvência fosse inevitável".

Foi também pedido a Paula Resende que justifique no relatório a relação de interdependência entre as três empresas da ST&SF e que detalhe mais a informação fornecida, nomeadamente em relação ao destino das receitas, disse ao Expresso um credor da ST&SF que esteve na reunião.

A empresa tem uma dívida de cerca de 12 milhões de euros. A Segurança Social, o Novo Banco, as autoridades fiscais e a EDP são os principais credores. Há fornecedores e trabalhadores do grupo, nomeadamente jornalistas, que também são credores. A Económico TV e o sítio Económico, também do grupo Ongoing, continuam a funcionar. O acionista maioritário da empresa que detém o jornal "OJE", Luís Figueiredo Trindade, já chegou a um princípio de acordo com a Ongoing para assumir a propriedade do canal de televisão ETV e da versão digital do "Diário Económico".