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CaixaBank focado no controlo do BPI sem pensar no Novo Banco

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Gonzalo Gortázar, administrador delegado do banco catalão, assegura que OPA a ter sucesso só estará concluída no quarto trimestre deste ano. E recusa rever preço oferecido de 1,113 euros pelas ações do BPI

Num encontro com jornalistas em Barcelona, Gonzalo Gortázar , administrador delegado do Caixa Bank, fez questão de sublinhar que a OPA sobre o BPI tem duas condições implícitas para que possa avançar: "a eliminação dos direitos de voto e a aprovação dos vários reguladores que precisam de dar luz verde à operação".

A Direção-Geral de Concorrência europeia (DGComp) já autorizou a operação. As outras estão em curso, referiu Gortázar horas antes de o Banco Central Europeu (BCE) ter informado o CaixaBank de que teria quatro meses depois da OPA estar concluída para resolver a exposição do BPI a Angola, através do BFA onde este detém 50,5% do capital.

A assembleia geral para votar a desblindagem dos estatutos do BPI está agendada para 22 de julho . Gortázar deixou claro que a OPA , a ter sucesso, só deverá estar concluída no quarto trimestre deste ano, pelo que o Novo Banco está fora do radar do CaixaBank. "Primeiro, temos que concluir a OPA sobre o BPI", referiu o responsável do CaixaBank. E, como tal, o calendário não se coaduna com outras aquisições, subentende-se das palavras do líder do banco espanhol.


Gonzalo Gortázar está confiante no sucesso da desblindagem e na aprovação da OPA: "Esperamos que todas as entidades aprovem a operação, incluindo o Banco Nacional de Angola, mas temos de esperar pelas decisões dos acionistas que antes tem de aprovar a desblindagem dos estatutos".

O administrador delegado do banco catalão, instituição que tem 44,6% do BPI e quer ter mais de 50%, quer que o BPI continue a
ser um " banco independente, autónomo, cotado e mantenha a equipa de gestão ". Mas refere que, como é óbvio, "vamos ter um programa de sinergias e queremos conjugar o que o BPI tem hoje, com o que tem o Caixa Bank". Haverá um plano de corte de custos mas não quis detalhar, para já, onde vão incidir.

Teceu elogios à gestão de Fernando Ulrich ao dizer que "o BPI foi o banco que mais capacidade teve de aguentar um nivel de capital adequado e teve os melhores rácios de credito". Embora tenha acrescentado também que "a rentabilidade em Portugal é muito baixa e no BPI também, por isso o CaixaBank quer melhorar essa situação, aliás como já o tinha proposto na primeira OPA que lançou em 2015 e foi retirada".


Quanto ao preço oferecido de 1,113 euros por ação não parece haver negociação possível. " O preço é 16% inferior ao da OPA de 2015 , mas está fixado", diz Gortázar lembrando que, de 2015 para 2016, o setor perdeu 35% do seu valor e o BPI 75%.

Modelo de negócio para estender a Portugal
O administrador delegado do CaixaBank quer aplicar o modelo de negócio do banco catalão em Portugal. E explicou: "Desenvolvemos a atividade financeira, prestamos serviços financeiros e acompanhamos todos os sectores sociais devolvendo à sociedade parte dos lucros do banco" .

O ADN do grupo é esse, sublinhou, respondendo a dúvidas dos jornalistas sobre a organização e estrutura acionista do banco detido pela Fundacao Bancaria la Caixa ( obra social) cuja holding Critéria Caixa detém menos de 49% do CaixaBank. Explicou ainda que existe uma separação entre a obra social, cientifica e cultural e a atividade financeira. "Todos os anos destinamos 500 milhoes de euros para a sociedade, para acorrer a situações de pobreza infantil, inserção social, investigação e cultura". Para isso precisamos de escala e tecnologia e queremos desenvolver estas áreas - financeira e social em Portugal. E é neste contexto que reforça a ideia de que é preciso cortar custos e tornar o BPI mais rentável.


O CaixaBank, que integrou em quatro anos (de 2012 a 2015) seis instituições, entre as quais três cajas de ahorro, com as operações da Banca Civica, Banprime , Banco Valencia e Barclays Espanha, está agora num processo para adquirir mais de 50% do capital do BPI, defendendo o seu investimento ao longo dos últimos 20 anos de parceria. Mas também segundo Gonzalo Gortázar, de ajudar o BPI a rentabilizar o seu negócio num mercado que é cada vez mais ibérico. E deixou no ar uma pergunta: se o limite de votos continuar (cenário que o fará desistir da OPA) " o que vai fazer o BPI?"

O BPI , assegura , não vai ser integrado no CaixaBank. É essa a ideia. Tem de ter uma estrutura independente mas haverá certamente uma sinergia de ganhos ao nivel dos custos . Está previsto um corte de 85 milhões nos custos em três anos e é expectável que os custos de reestruturação ascendam a 200 milhões de euros, mas o líder do CaixaBank recusa falar de dispensas de trabalhadores ou fecho de balcões, para já.

O Expresso viajou a convite do CaixaBank