Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

BES ‘empacota’ dívida e espalha risco

  • 333

BES colocou obrigações da PT em produtos financeiros de risco máximo e vendeu nos seus balcões, potenciando a exposição ao colapso da Oi

O BES colocou obrigações da PT em produtos financeiros complexos, de risco máximo, e vendeu através dos seus canais de retalho, amplificando assim a exposição ao colapso da Oi, que se encontra em recuperação judicial, noticia hoje o "Jornal de Negócios".

Esta disseminação do risco de dívida da PT/Oi amplifica o impacto da reestruturação da dívida da operadora brasileira, formalizada esta semana muito além dos cerca de 20 mil obrigacionistas que compraram títulos de forma directa. Isto porque, o BES Investimento (agora Haitong) como agente de cálculo, o Espírito Santo Investment como entidade emitente e o Banco BEST como comercializador, "empacotaram" essas obrigações (num valor total de 400 milhões de euros) em produtos de investimento para venda aos clientes particulares, permitindo um mais fácil acesso (1.000 euros).

Esta disseminação entre investidores particulares ajuda a explicar a onda de pedidos de informação e iniciativas junto de advogados, reguladores e associações de defesa de consumidores e de investidores, nos últimos dias, depois da precipitação da Oi num processo de recuperação judicial.

A CMVM já chegaram pedidos de informação por parte dos investidores, mas "dentro da normalidade". Aquando da assembleia-geral que aprovou a venda PT Portugal à Altice, o regulador exigiu que fosse prestada aos investidores toda a informação necessária para que pudessem tomar uma decisão de investimento. Na altura muitos acabaram por resgatar o seu investimento, enquanto outros decidiram mantê-lo.

No entanto, no caso destes produtos, os particulares não puderam movimentar as suas aplicações. E muitos desconhecem se o emitente (ES Investment) terá feito esse resgate que pudesse permitir pagar agora aos investidores.

A associação dos pequenos investidores (ATM) tem chegado uma média de dez reclamações por semana, a Deco recebeu cerca de 20 pedidos de informação desde a semana passada. "Os investidores querem saber o que devem fazer agora, o que é que aconteceu. Muitos só agora é que começam a perceber a ligação entre a PT e a Oi", explica André Gouveia. O economista sublinha que a Deco está a "apreciar se haverá margem para uma acção da Deco, uma vez que nesta situação não é claro se há contornos de ilegalidade como aconteceu em situações recentes como o BES e o Banif'.

No prospecto destes produtos é referido que no caso de ser verificar um evento de crédito - definido por uma "reestruturação dos termos originais contratualizados de obrigações", por exemplo -, ocorre um reembolso antecipado e, nesse caso, "o investidor perderá parte ou a totalidade do capital investido". Num cenário pessimista, o documento assume um valor de recuperação de 40% das obrigações entregues pelo emitente.

Contactados pelo "Jornal de Negócios", o Banco BEST não respondeu e a Haitong não quis prestar qualquer esclarecimento.