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Construção. Vallis toma posição de controlo no grupo Catarino

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O fundo Vallis reforça na construção com a aquisição das oito empresas da fileira da construção do grupo Catarino

O fundo Vallis Constrution vai tomar uma posição de controlo nas empresas da fileira da construção e decoração de interiores do grupo Catarino SGPS, numa operação que se distinge das anteriores (Edifer, MonteAdriano, Eusébios e Hagen) por manter a marca autónoma e traduzir uma parceria acionista - os anteriores donos permanecem na estrutura acionista e com uma presença ativa na gestão.

Após a conclusão do negócio que aguarda a aprovação da Autoridade de Concorrência, o fundo injetará dinheiro fresco para reforçar a robustez financeira e capacidade operacional. As quatro construtoras já absorvidas pelo Vallis deram origem ao grupo Elevo.

Ramos Catarino e mais sete

Além da Ramos Catarino, SA, que apresentou em abril no tribunal de Coimbra um segundo Processo Especial de Revitalização (PER), o negócio envolve a aquisição de um perímetro de oito empresas “que atuam em áreas adjacentes à atividade central de construção em Portugal e no estrangeiro”, refere ao Expresso Pedro Gonçalves, administrador do Vallis e presidente da Elevo. De fora da transação, ficam negócios florestais, imobiliários e hoteleiros da família Catarino.

O novo modelo de partilha do capital “é o que se nos afigura mais adequado para potenciar a criação de valor tendo em conta o perfil empresarial do grupo”, acrescenta Pedro Gonçalves. O gestor escusou-se a quantificar a “posição de controlo” detida pelo fundo.

Contacto pelo Expresso, Vitor Catarino, administrador da Catarino SGPS, declinou comentar a operação que conduz a uma profunda reorganização no conglomerado familiar.

Novo Banco credor de 18 milhões

A transferência para o universo Elevo não interfere com o andamento do segundo PER da Ramos Catarino, mas garante a sua aprovação.

Com 18 milhões de euros, o Novo Banco é de longe o maior credor da construtora de Cantanhede que, segundo a lista publicada pelo tribunal, conta com mais de 700 credores que reclamam 62,1 milhões de dívidas - dois terços cabem ao sistema financeiro.

Colapso do BES trava recuperação

O colapso do BES, dois meses depois a homologação do PER de 2013, foi um rude golpe na viabilização da construtora e conduziu ao insucesso do programa.O plano de recuperação fora aprovado por esmagadora maioria de credores (85%) em junho de 2014.

O BES liderava o sindicato bancário que aceitara uma perdão de dívida e se comprometera a injetar dinheiro fresco para manter as empreitadas e impulsionar a atividade.

Mas, os pressupostos do PER não foram cumpridos, a atividade sofreu uma redução drástica e a sobrevivência da Ramos Catarino regressou à casa de partida. A família Catarino voltaria em abril a acionar o mecanismo salvador, negociando já com a Vallis uma solução de gestão e capital.

Os principais bancos do sistema, à exceção do BPI, têm créditos em risco na construtora, surgindo, a seguir ao Novo Banco, os suspeitos do costume. Montepio (8,4 milhões), CGD (7,8 milhões) e BCP (3 milhões) são os mais expostos. A dívida bancária vale 42 milhões.

Mota-Engil credora

Na lista de 750 credores, a maioria reclama dívidas inferiores a 20 mil euros e surgem valores irrisórios como os da Wurth Portugal (35 euros), Sojormedia Beiras (113 euros) ou Securitas Direct Portugal (208 euros).

A lista incluiu igualmente outras construtoras, como a Mota-Engil (448 mil euros) que, de resto, fora um dos fornecedores que perdera a paciência a avançara em tribunal com uma ação de insolvência da Ramos Catarino.

O administrador judicial, Pedro Pidwell, confirmou ao Expresso que o PER está na fase da verificação de créditos, admitindo que os credores decidam sobre o plano de viabilização da empresa dentro de dois meses.