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Centeno e o Banif: “Tudo devia ter sido feito antes”

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Luís Barra

O ministro das Finanças garantiu em audição no Parlamento que o Banif não estava em condições de ser vendido mais tarde do que foi. “Em 2016 o custo desta operação para o sistema financeiro subia de forma dramática”, alertou o governante

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

“Tudo devia ter sido feito antes. A venda do banco em Malta devia ter sido feita antes, a da Açoreana devia ter sido feita antes, o próprio Banif também”. Foi desta forma que o ministro das Finanças, Mário Centeno, respondeu esta terça-feira na comissão de inquérito do Banif a uma questão da deputada Mariana Mortágua sobre a possibilidade de o Governo ter adiado para 2016 a operação de venda do banco Banif.

Mário Centeno lembrou, na Assembleia da República, que “segundo o supervisor o banco estava em insuficiência de capital e tinha problemas de solvabilidade”, pelo que era urgente concretizar a venda do Banif. Mariana Mortágua questionou o ministro sobre o porquê de o Governo não ter adiado para 2016 a decisão sobre o Banif, de forma a não vender o banco à pressa.

Segundo o ministro, o Banif não podia esperar mais tempo. “Não estamos a falar de uma entidade que estivesse confortavelmente à espera de um comprador”, sublinhou Mário Centeno perante os deputados. E acrescentou que “em 2016 o custo desta operação para o sistema financeiro subia de forma dramática”. E que ao mesmo tempo estava a correr o processo de capitalização do Novo Banco.

“As fragilidades do sistema bancário português não se compadeciam com tentar esperar para ver quem poderia entrar [na operação de venda do Banif]”, declarou ainda Mário Centeno. “Os riscos que se estavam a acumular deveriam ter promovido uma ação mais atempada”, insistiu o ministro das Finanças.

Na sua intervenção no Parlamento o ministro reiterou que os prazos que o Governo tinha para resolver a situação do Banif eram curtos, tendo sido por várias vezes confrontado pelo Banco de Portugal com a necessidade de encontrar uma solução para o banco num prazo de quatro dias, dos quais apenas dois eram dias úteis.

Sobre a escolha da oferta do Santander, Mário Centeno frisou que na tarde do dia 18 de dezembro, a data limite para a entrega de propostas, “apenas o banco Santander tinha feito uma oferta”. Só ao final do dia 18 o Governo recebeu uma outra oferta, do Banco Popular.