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PSI 20 regista maior subida do ano. Juros da dívida portuguesa lideram descidas

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Nove índices bolsistas europeus fecharam esta segunda-feira com ganhos superiores a 3%. O índice de referência Eurostoxx 600 ganhou 3,7%, a maior subida diária em 10 meses. Juros das Obrigações do Tesouro português lideraram descidas nos periféricos do euro

Jorge Nascimento Rodrigues

O índice PSI 20 da bolsa de Lisboa registou esta segunda-feira a maior subida diária deste ano. Fechou a ganhar 3,23%, uma subida diária superior às registadas em 22 de janeiro e 17 de fevereiro, quando avançou mais de 3%.

No mercado secundário da dívida soberana, as yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, recuaram 17 pontos base em relação ao fecho de sexta-feira, a maior descida registada hoje nos periféricos da zona euro. O prémio de risco de Portugal desceu 21 pontos base, mas continua acima de 300 pontos base, um diferencial de mais de três pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã, que serve de referência.

Ambos os movimentos estão em linha com os ganhos nas bolsas europeias e com as descidas nas yields de Espanha, Irlanda e Itália. A bolsa de Atenas e a negociação da dívida obrigacionista helénica no mercado secundário estiveram encerradas em virtude de ser feriado de Pentecostes na Grécia.

O índice MSCI para a Europa - que abarca cerca de 450 títulos em 15 países desenvolvidos da Europa - fechou a sessão desta segunda-feira com um ganho de 4,42%, depois do índice MSCI para a Ásia Pacífico ter registado uma subida de 1,93%, com o índice Nikkei 225 da bolsa de Tóquio a liderar, com um aumento de 2,3%.

A Europa voltou a ser a "região" com ganhos diários mais elevados, tal como acontecera na sexta-feira. O índice de referência Eurostoxx 600 (que abrange 600 títulos em 18 países europeus) avançou 3,7%, a maior subida diária em 10 meses. O Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) ganhou 3,37%. Nove bolsas na Europa encerraram com subidas de mais de 3%, com o índice IBEQ, da bolsa de Dublin, a liderar, com um avanço de 4,55%. No grupo de ganhos acima de 3% incluem-se, por ordem decrescente, os índices IBEQ de Dublin, CAC 40 de Paris, AEX de Amesterdão, DAX de Frankfurt, Ibex 35 de Madrid, PSI 20 de Lisboa, OMXS 30 de Estocolmo, OMX 25 de Helsínquia e o FTSE 100 de Londres. À escala mundial, nos cinco índices que registaram esta segunda-feira as maiores subidas diárias, três foram europeus (IBEQ, CAC 40 e AEX), um do Médio Oriente (índice ADSMI da bolsa de Abu Dhabi, 3,7%) e outro asiático (índice MSETOP da bolsa de Ulan Bator, Mongólia, 3,8%).

O recuo do risco de vitória do Brexit – saída do Reino Unido da União Europeia – no referendo de 23 de junho alimentou a trajetória de subida nas bolsas de todo o mundo. A mais recente atualização da média das sondagens pelo "Financial Times" aponta para um empate entre as duas opções em 44%.

Efeito tesoura reduziu-se

No mercado secundário da dívida soberana, o ‘efeito tesoura’ nas trajetórias do custo de financiamento da dívida que se havia verificado na semana passada reduziu-se hoje com as yields das obrigações dos periféricos a descer e as yields das obrigações das economias do centro do euro a subir.

As yields das OT a 10 anos fecharam esta segunda-feira em 3,14%, dezassete pontos base abaixo do encerramento na sexta-feira. O prémio de risco da dívida portuguesa desceu para 308,1 pontos base, menos 21 pontos base do que na sexta-feira.

Naquele prazo de referência, as yields das obrigações espanholas e italianas recuaram sete e seis pontos base respetivamente e as relativas às obrigações irlandesas desceram quatro pontos base. Os prémios de risco desceram 12 pontos base para a dívida espanhola, 11 pontos base para a italiana e oito pontos base para a irlandesa.

As yields das obrigações alemãs, no prazo de referência, subiram esta segunda-feira para 0,060%, afastando-se dos mínimos históricos negativos da semana passada registados a 14, 15 e 16 de junho.

Espanha e Itália fora do radar

Com os investidores concentrados no referendo britânico de quinta-feira, não se registaram reações em relação às vitórias no domingo das candidatas do Movimento 5 Estrelas nos municípios de Roma e Turim, na segunda volta das municipais italianas, e às sondagens em Espanha apontando para uma aproximação a uma maioria absoluta por parte do PSOE com a coligação Unidos Podemos no próximo Congresso de deputados a sair das eleições legislativas do próximo domingo.

A última sondagem da GESOP, realizada a 19 de junho, apontava para 45,3% dos votos no conjunto PSOE e Unidos Podemos e 44,2% no conjunto PP e Ciudadanos, com o PP a continuar a liderar as votações por partido, registando 28,8% das intenções de voto. Hoje terminou o prazo legal para publicação de sondagens em Espanha. Foi divulgado em Madrid um manifesto internacional de apoio à coligação Unidos Podemos assinado por 177 economistas, com o francês Thomas Piketty e o norte-americano James Galbraith à cabeça.

O banco suíço UBS apresentou um estudo em que considera que uma coligação governamental de esquerda em Espanha provocaria um disparo de 50 pontos base no prémio de risco da dívida espanhola (subindo-o para o patamar dos 200 pontos base) e que uma grande coligação do PP, PSOE e Ciudadanos reduziria de imediato o prémio em 25 pontos base.

  • O índice Dow Jones 30 abriu esta segunda-feira com ganhos de 1,1% e o índice do Nasdaq, a bolsa das tecnológicas, avançou 1,2% nos primeiros minutos. Europa regista seis praças financeiras com subidas superiores a 3%, com Dublin a liderar. PSI 20 sobe 2,8%