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Sapatos portugueses rumo ao Japão

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Depois da Colômbia, a indústria do calçado ataca mercado nipónico. A meta é vender €20 milhões em 2016

A indústria portuguesa de calçado tem grandes esperanças no Japão, o novo alvo do sector para cumprir a ambição de multiplicar as exportações nos mercados extracomunitários nos próximos anos. Se tudo correr bem, o salto dos sapatos made in Portugal no país será superior a 50% em 2016, para os €20 milhões, e a trajetória de crescimento é para manter.

No ano passado, as vendas das empresas portuguesas já cresceram 34%, para €13 milhões, e na avaliação da APICCAPS, a associação dos industriais do calçado, o país, que já foi um mercado relevante para os sapatos portugueses, tem bom potencial para voltar a ser um destino interessante e assumir protagonismo fora da União Europeia.

As principais empresas da fileira já estão lá mas o objetivo, agora, é multiplicar os números atuais, criar uma dinâmica de crescimento, chegar a países vizinhos como a Coreia do Sul e desenvolver uma nova frente exportadora a oriente. A China, que tem em Portugal o seu sexto maior fornecedor de sapatos, também está no radar da APICCAPS, ainda à espera do momento certo para avançar em força neste mercado.

A estratégia é replicar o que foi feito na Colômbia, mas com ações “cirúrgicas e específicas”, adaptadas a cada mercado, explica Paulo Gonçalves, diretor de comunicação da APICCAPS, que em 2012, quando começou a trabalhar este país da América Latina, viu as empresas do sector venderam €200 mil para lá e, três anos depois, multiplicou este número por 10, para chegar aos €2 milhões, somando pedidos de designers colombianos que querem calçar sapatos portugueses nos eventos da Colômbia Moda. Juntando os mercados vizinhos do Peru, Chile e Panamá, até então desconhecidos para a indústria, o sector já soma €4 milhões na região.

Se na Colômbia uma das apostas foi a presença na feira Colômbia Moda, em Medellín, a par de outras ações como desfiles ou a contratação de um representante local, no Japão a APICCAPS quer aproveitar esta experiência para “aprimorar o investimento”.

Este trabalho, em ligação direta com a Embaixada de Portugal em Tóquio e com a AICEP — Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, deverá levar 20 empresas lusas à Semana da Moda de Tóquio, em outubro, contempla a criação de uma base de dados, a contratação de um representante no país e a realização de ações dirigidas a potenciais compradores. É uma vertente que inclui, desde já, o trabalho com modelos asiáticos em produções de moda e convites para clientes e jornalistas visitarem Portugal e a sua indústria do calçado, de forma a apresentar a capacidade de produção e de resposta do sector.

Com um investimento anual de €14 milhões na promoção externa, a fileira tem de engordar as vendas fora da Europa para crescer. Há cinco anos valiam 8% das exportações, em 2015 estavam nos 14% (€255 milhões) e em 2020 devem chegar aos 20% ou €500 milhões. É um contributo decisivo numa trajetória que soma seis recordes consecutivos nas exportações, até aos €1,865 mil milhões de 2016, com a subida de 1% face ao ano anterior a ser impulsionada exatamente pelo salto no contingente dos mercados não comunitários.