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Queda das bolsas agravou-se. Volatilidade disparou na Europa e no Japão

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As bolsas mundiais perderam 2,3% esta semana. A maior quebra registou-se na Europa. Volatilidade subiu 33% em Tóquio e 27% na Europa. PSI 20 entre as principais quedas

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas mundiais registaram uma segunda semana consecutiva no vermelho. O índice mundial MSCI caiu esta semana 2,3%, uma queda significativamente muito mais elevada do que na semana anterior, quando registou um recuo de 0,62%. Este índice global abrange 46 mercados desenvolvidos e emergentes. Desde o início de junho, a quebra mundial já soma 2,6%.

O pior desempenho semanal voltou a ser protagonizado pela Europa. O índice MSCI respetivo recuou 4,65% durante a semana, uma queda superior à registada na semana anterior, em que recuou 2,65%, A segunda “região” com pior desempenho esta semana foi a Ásia Pacífico, cujo índice MSCI respetivo perdeu 3,49%.

Os sete piores desempenhos semanais em termos de índices repartem-se pela Ásia e pela Europa, com quedas acumuladas superiores a 3%, e incluem índices de bolsas de dois periféricos da zona euro, o índice geral de Atenas e o PSI 20 de Lisboa.

Lisboa entre as principais quedas mundiais

A liderar as quedas semanais, o índice Nikkei 225, de Tóquio, com um recuo de 6,03%, logo seguido do índice geral de Atenas, com uma quebra de 5,2%. Seguem-se, por ordem decrescente de perdas, o Hang Seng de Hong Kong (-4,5%), o PSI 20 de Lisboa (-3,9%), o índice chinês para as ações tipo A denominadas em moeda local (-3,6%), o AEX de Amesterdão (-3,2%) e o Kospi de Seul (-3,185).

A semana foi marcada por uma subida da volatilidade nas principais praças financeiras do mundo. O índice de volatilidade (acrónimo VIX), também conhecido como índice de pânico financeiro, disparou durante a semana 33% para o Nikkei 225 de Tóquio e 27% para o Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas na zona euro). As subidas semanais foram inferiores para o índice relacionado com o S&P 500 de Wall Street (que aumentou 14%) e com a bolsa chinesa (que avançou 11%).

No caso europeu, o índice de volatilidade atingiu um pico de 42 euros, superior ao registado a 11 de fevereiro deste ano (quando o pânico disparou em virtude do impasse no primeiro exame ao resgate grego trazer de volta o risco de Grexit) e aproximando-se de 45,7 euros, o máximo do ano passado registado em 24 de agosto, aquando de uma das derrocadas da bolsa chinesa.

Nos outros três casos, os índices VIX não ultrapassaram os máximos do ano registados a 11 e 12 de fevereiro.

Factor Brexit dominou a semana

A pressão psicológica do Brexit (opção pela saída do Reino Unido da União Europeia no referendo da próxima quinta-feira) foi particularmente sentida nos mercados financeiros europeus. As seis sondagens mais recentes, antes do assassinato da deputada britânica Jo Cox, davam clara vantagem à opção de saída do Reino Unido da União Europeia (UE) e a média das 10 últimas sondagens apontava para 46,5% pelo Brexit e 43,7% pelo Bremain (permanência na UE).

Um estudo da agência de notação S&P, com base em quatro critérios – exportações, fluxos de imigração e emigração, investimento direto estrangeiro (IDE) e serviços financeiros mais relacionados com a City -, apontava cinco países europeus como estando no primeiro anel de impacto negativo, por ordem decrescente: Irlanda, Malta, Luxemburgo, Chipre e Suíça. Num segundo anel, a Bélgica, Holanda e Espanha. Os menos afetados seriam a Áustria e Itália. Portugal não foi incluído no estudo.

Num outro estudo, realizado pela Global Counsel, a que a edição impressa do Expresso se refere este sábado, a exposição mais elevada abrange Holanda, Irlanda e Chipre. Com exposição significativa, num segundo anel de impacto, Portugal, Grécia, Malta, Suécia, Dinamarca, República Checa, Bélgica, Letónia e Lituânia. O estudo baseia-se em dez canais de contágio: comércio intra-europeu, IDE, liberalização e regulação, política industrial, imigração, serviços financeiros, política comercial, influência internacional, orçamento europeu e incerteza.

Em termos semanais, o índice AEX de Amesterdão caiu 3,2%, o índice Bel 20 de Bruxelas recuou 2,96% e o índice SMI de Zurique perdeu 2,6%, encontrando-se entre os índices que perderam mais de 2,5%.

Ponto de inflexão na sexta-feira?

O índice mundial melhorou na sexta-feira fechando a sessão em 0,5%, graças ao bom desempenho da Europa, cujo índice respetivo subiu 2,3%, e aos ganhos inferiores registados para a Ásia Pacífico e para o conjunto dos mercados emergentes. Mas, em Nova Iorque, Wall Street e Nasdaq fecharam em terreno negativo na sexta-feira.

O alívio da pressão do Brexit que se fez sentir na Ásia e na Europa não contagiou Nova Iorque, cujo índice MSCI caiu 0,32% na sexta-feira, com pesos pesados das novas tecnologias e da farmacêutica a perderem mais de 2%. A liderar o “clube” de quedas, a Merck que perdeu 2,8%, a Google que recuou 2,6% e a Apple que caiu 2,3%. A incerteza sobre a política monetária da Reserva Federal (Fed) este ano acentuou-se depois da última reunião dos banqueiros centrais norte-americanos na quarta-feira. O mercado de futuros das taxas de juro da Fed aponta para probabilidades de pouco mais de 20% para uma subida nas reuniões de 21 de setembro, 2 de novembro e 14 de dezembro, em clara divergência com as intenções dos banqueiros centrais que apontam para uma média de duas subidas ainda este ano, se os indicadores macroeconómicos e as expetativas de inflação o permitirem.

Com o assassinato da deputada trabalhista Jo Cox, partidária da permanência do Reino Unido na UE, alguns analistas apontaram para um “ponto de inflexão” no sentido de uma redução da vantagem do Brexit e de um recuo no pânico financeiro até ao referendo na quinta-feira. No entanto, uma sondagem online realizada pela firma Qriously, incluindo o dia seguinte ao assassinato da deputada, aponta para uma ampliação da vantagem do Brexit na ordem dos 20 pontos percentuais, com um aumento de 9% para 16% de indecisos. Os analistas dividem-se sobre a fiabilidade das sondagens online em relação às telefónicas.

O "Financial Times" na sua atualização deste sábado do ponto de situação das sondagens mantém uma vantagem para o Brexit, de cinco pontos percentuais em relação à opção de permanência.

Próxima semana com três eventos de risco

A próxima semana vai estar carregada de eventos de risco, na linguagem dos analistas financeiros.

Já na terça-feira, o Tribunal Constitucional alemão vai divulgar a sua sentença sobre se há ou não uma violação da lei alemã por parte do programa OMT (permitindo a compra ilimitada no mercado secundário de dívida pública dos membros da zona euro com stresse financeiro) anunciado pelo Banco Central Europeu (BCE) em 2012 substituindo o anterior programa SMP, que limitava as aquisições. Um parecer jurídico emitido em janeiro do ano passado pelo advogado-geral do Tribunal Europeu de Justiça no Luxemburgo considerou que o programa não viola nem a lei europeia nem o mandato do BCE. Entretanto, uma nova queixa já foi apresentada contra a participação do Bundesbank, banco central alemão, no programa do BCE de compra de dívida pública no mercado secundário em vigor desde março de 2015. A política monetária liderada por Mario Draghi tem sido alvo de críticas crescentes de políticos alemães. Mesmo o presidente do Bundesbank, ainda que defendendo a independência do BCE, tem feito eco do “nervosismo crescente” na Alemanha.

A 22 de junho, o BCE anuncia o primeiro leilão da segunda série da linha de financiamento conhecida pelo acrónimo TLTRO, cujos resultados serão divulgados dois dias depois. A dimensão da participação dos bancos da zona euro será escrutinada pelos analistas, tanto mais que esta nova linha de financiamento permite juros negativos até ao nível da taxa de remuneração dos depósitos que está em -0,4%.

A 23 de junho decorre o referendo britânico e os resultados serão conhecidos no dia seguinte.

Durante a próxima semana serão conhecidas as sondagens finais prévias às eleições legislativas em Espanha a 26 de junho. Uma simulação, publicada este sábado pelo diário digital "El Confidencial" (que abrange as áreas da finança, economia e política), com base na última sondagem revela que o PSOE e a coligação Unidos Podemos estão à beira de uma maioria absoluta com 166 a 171 deputados no Congresso.