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Lagarde quer iniciativa em prol do investimento na Europa

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A diretora-geral do FMI disse esta sexta-feira em Viena que a Europa deveria avançar com um “esquema de investimento centralizado” para atacar os problemas da crise dos refugiados, da resposta às mudanças climáticas e das necessidades em infraestruturas

Jorge Nascimento Rodrigues

“Deveria haver [na Europa] um mecanismo para uma maior partilha de riscos e de atenuação das oscilações acentuadas nos padrões de vida. Há lugar para um centro mais forte que tenha os meios para apoiar os sectores e regiões que são atingidas pelas oscilações negativas cíclicas”, afirmou, esta sexta-feira em Viena, Christine Lagarde, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Concretizando a ideia, Lagarde propôs como ponto de partida a criação de “um esquema de investimento centralizado para resolver alguns dos grandes desafios comuns [na Europa], como a resolução do problema dos refugiados, a adaptação às alterações climáticas e o investimento em infraestruturas de transporte e de comunicação”.

A diretora-geral do FMI interveio no evento “Finance in Dialogue”, em defesa da "unidade na diversidade da Europa", onde considerou a União Europeia (UE) como “a maior inovação desde o nascimento do estado nação pelo Tratado de Vestefália em 1648” e deu o seu apoio à permanência do Reino Unido na UE.

A diretora-geral do FMI já havia avançado com o tema do fundo comum após a reunião do Eurogrupo de quinta-feira no Luxemburgo em que participou, adiantando, então, que a contrapartida a dar pelos beneficiários seria o cumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento e das recomendações sobre reformas estruturais. Este novo fundo orçamental centralizado seria complementar à iniciativa Juncker da Comissão Europeia que levou à criação do Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos gerido pelo Banco Europeu de Investimento. Ou, então, poderia assentar na “ampliação” do Fundo da Comissão, como se admite no relatório de avaliação da situação na zona euro apresentado pelo FMI ao Eurogrupo ao abrigo do artigo IV do Fundo. A iniciativa da Comissão foi desenhada para financiar 21 mil milhões de euros em projetos, e até à data assinou compromissos no valor de 1,8 mil milhões.

Nesse relatório sublinha-se, logo a abrir, que a “zona euro está num momento crítico” enfrentando “divisões políticas crescentes e euroceticismo” - adiantando-se que uma vitória do Brexit, ou mesmo uma vitória à tangente da opção pela permanência do Reino Unido na UE, no referendo britânico de 23 de junho poderá exacerbar essas tendências - e revela “vulnerabilidade a um risco de estagnação”.

Os técnicos do Fundo propuseram ao Eurogrupo uma abordagem assente em quatro pilares baseados em “ações coletivas”: criação de melhores incentivos para os países realizarem reformas estruturais; fortalecimento de um quadro orçamental de regras em simultâneo com apoio orçamental centralizado (onde se insere a ideia do novo fundo); prosseguimento pelo Banco Central Europeu da política monetária de estímulos, ainda que com cautelas em relação aos efeitos negativos se algumas medidas forem aprofundadas (como taxas ainda mais negativas na remuneração dos depósitos dos bancos no BCE); e aceleração da resolução do problema bancário. A longo prazo, os técnicos apontam para a necessidade de um Tesouro centralizado da zona euro.